Wagner Moura fala sobre 'O Agente Secreto' e política em entrevista ao The New York Times
Ator comentou temporada de premiações e fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e Donald Trump
CINEMAWagner Moura foi entrevistado pelo jornal norte-americano The New York Times em matéria publicada neste sábado (10), na qual falou sobre o filme O Agente Secreto, a atual temporada de premiações e suas posições políticas, em um momento em que seu nome aparece entre os mais citados do cinema internacional.
A publicação colocou o ator brasileiro como um dos principais nomes do período de premiações e destacou a possibilidade de uma indicação inédita ao Oscar. “Especialistas acreditam que Moura vai faturar sua primeira indicação ao Oscar”, escreveu o jornal, que o posiciona ao lado de atores como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan.
Na entrevista, Moura comentou a intensidade do circuito de premiações e das campanhas para os principais prêmios da indústria. “Essa coisa de campanha é intensa”, afirmou o ator, que concorre neste domingo (11) ao Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama. Ele já havia sido indicado ao prêmio anteriormente por seu trabalho como Pablo Escobar na série Narcos, da Netflix.
O ator também falou sobre decisões tomadas após o sucesso internacional da série, quando recusou papéis em Hollywood. Segundo ele, a escolha teve relação direta com o tipo de personagem que lhe era oferecido. “Eu nunca fiz nada por dinheiro ou porque era uma grande coisa de Hollywood. Especialmente depois de Narcos, eu não quero fazer nada que vá estereotipar latinos”, disse. Moura contou que a postura causou surpresa em seus agentes, mas afirmou sentir convicção ao recusar propostas que não se alinhavam ao que acreditava.
Ao tratar de política, Wagner Moura comparou a reação de Jair Bolsonaro e Donald Trump após derrotas eleitorais, citando semelhanças no estímulo a atos violentos por apoiadores. Para ele, a diferença esteve na resposta institucional. “Foi fascinante a forma com a qual o Brasil foi rápido em prender pessoas, encontrar financiadores e cassar direitos políticos. Isso aconteceu porque os brasileiros sabem o que é uma ditadura”, avaliou.
O ator também criticou o discurso bolsonarista contra artistas e a imprensa, afirmando que esse tipo de narrativa encontra eco em parte da sociedade. “É como um manual antigo do fascismo, atacando artistas, universidades e jornalistas”, afirmou. Moura disse ainda acreditar que esse movimento é passageiro e relativizou o legado político do ex-presidente.
Sobre O Agente Secreto, o ator afirmou que o filme funciona como um lembrete do período da ditadura militar no Brasil e destacou o momento de seu lançamento. “Vendemos um milhão de ingressos. O filme chegou aos cinemas em um momento em que o país começa a encarar melhor a própria memória”, disse.
O The New York Times também relembrou a trajetória de Wagner Moura, desde o início na televisão brasileira, passando pelas novelas e pelo protagonismo em Tropa de Elite, até a consolidação no cinema internacional, descrevendo o ator como expansivo, opinativo e dono de uma presença marcante diante das câmeras.