Agência Brasil | 10 de janeiro de 2026 - 11h20

Rio prende líderes do Comando Vermelho de cinco estados em uma semana

Chefes do tráfico de Goiás, Piauí, Mato Grosso, Bahia e Alagoas se escondiam em comunidades fluminenses para comandar crimes nos estados de origem

CRIME ORGANIZADO
Operações da polícia no Rio prenderam, em uma semana, cinco líderes do tráfico ligados ao Comando Vermelho, vindos de cinco estados. - (Foto: Fátima Bezerra/Twitter)

Em uma semana de ações de inteligência, as forças de segurança do Rio de Janeiro prenderam cinco lideranças do tráfico ligadas ao Comando Vermelho, vindas de Goiás, Piauí, Mato Grosso, Bahia e Alagoas. Todos estavam foragidos em território fluminense, onde se escondiam enquanto comandavam o crime nos estados de origem.

As prisões foram feitas entre segunda-feira (5) e sexta-feira (9), em operações que envolveram Polícia Militar, Polícia Civil, Batalhão de Operações Especiais (Bope) e trocas de informação com forças de segurança de outros estados. Os criminosos respondem por homicídios, tráfico de drogas e armas, estupro, roubos e outros crimes graves.

Na ação mais recente, nesta sexta-feira (9), a Polícia Militar prendeu Cássio Dumont, conhecido como “Cascão”, no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, região central do Rio.

Apontado como uma das lideranças do crime organizado em Goiás, ele foi localizado em uma operação do Bope em conjunto com a Subsecretaria de Inteligência da corporação.

De acordo com órgãos de segurança goianos, Cascão tem passagens por homicídio e participou da fuga da Penitenciária de Trindade, na região metropolitana de Goiânia. Foragido, ele usava o Rio como base para continuar dando ordens na estrutura criminosa em seu estado.

Na quinta-feira (8), policiais civis da 29ª DP (Madureira) prenderam, em São Gonçalo, uma das lideranças do tráfico de drogas da Bahia, ligada ao grupo “Bonde do Maluco”.

O alvo, que não teve o nome divulgado, é apontado como chefe local da facção e tinha três mandados de prisão por homicídio em aberto. Ele foi localizado em área de influência do Comando Vermelho na Região Metropolitana.

Na quarta-feira (7), a Polícia Militar prendeu em Itaboraí o homem considerado o criminoso mais procurado do Mato Grosso. Rafael Amorim de Brito, o “Rafão”, também se escondia no Rio.

Segundo as investigações, Rafão tem passagens por estupro, tráfico de drogas e roubo, além de quatro mandados de prisão expedidos pela Justiça mato-grossense. Ele é apontado como responsável por assassinatos de policiais, entre eles o do sargento Odenil, morto em dezembro de 2024.

A captura de Rafão reforça a avaliação das forças de segurança de que lideranças de outros estados vêm usando comunidades do Rio como refúgio estratégico para se afastar da vigilância local e, ao mesmo tempo, se integrar à estrutura do Comando Vermelho.

Na segunda-feira (5), policiais militares do 6º BPM (Tijuca) prenderam um criminoso conhecido como “Gordinho”, acusado de participação em 19 homicídios no Piauí.

Ele é apontado como integrante do “Bonde dos 40”, facção cujo nome faz referência ao conto “Ali Babá e os Quarenta Ladrões”. O grupo atua no Nordeste e mantém ramificações em outros estados, com forte vínculo ao Comando Vermelho.

A prisão foi feita na Tijuca, zona norte do Rio, após trabalho de monitoramento e troca de dados com as forças de segurança piauienses.

Também na segunda-feira, policiais civis da 59ª DP (Duque de Caxias) prenderam o líder do tráfico de drogas de Campo Alegre, município de Alagoas.

Ele foi localizado na Baixada Fluminense, após ações de inteligência e cooperação com a Polícia Civil de Alagoas. Contra o criminoso, havia dois mandados de prisão preventiva pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado.

As cinco prisões da semana reforçam um cenário preocupante apontado por investigadores: o Rio de Janeiro como polo de acolhimento de lideranças criminosas de outros estados, especialmente ligadas ao Comando Vermelho e facções parceiras.

Esses chefes do tráfico migram para comunidades ligadas à facção no Rio, onde se escondem da Justiça local, mantêm o padrão de vida e seguem coordenando ações criminosas à distância, como homicídios, ataques a rivais, tráfico de armas e drogas.

Ao concentrar inteligência e cooperação com outras forças estaduais, as polícias fluminenses conseguiram, em uma mesma semana, atingir cinco estruturas diferentes do crime organizado, com atuação em cinco estados distintos e ligações diretas com o comando do tráfico dentro e fora do Rio.