Redação | 10 de janeiro de 2026 - 08h50

Empresário destina parte da venda bilionária da empresa a funcionários nos EUA

Dono da Fibrebond exigiu que 15% do negócio fosse dividido entre 540 trabalhadores, mesmo sem ações

ECONOMIA
Entrada da Fibrebond em Minden, Louisiana, nos Estados Unidos; empresa vinha em bons momentos depois que começou a fornecer para a infraestrutura de data centers - (Foto: Reprodução/Google Maps)

Ao negociar a venda da própria empresa, o empresário americano Graham Walker impôs uma condição incomum: 15% do valor total da transação deveria ser, obrigatoriamente, destinado aos funcionários. A decisão beneficiou diretamente 540 trabalhadores da Fibrebond, companhia especializada na fabricação de invólucros para equipamentos elétricos, vendida em março de 2025 por US$ 1,7 bilhão.

Mesmo sem participação societária ou ações da empresa, os funcionários ficaram com cerca de US$ 240 milhões do negócio. Na prática, cada trabalhador recebeu um bônus mínimo de US$ 443 mil, valor que será pago ao longo de cinco anos, desde que permaneçam na empresa. A informação foi revelada em reportagem do jornal The Wall Street Journal.

Segundo Walker, a iniciativa foi uma forma de reconhecer a lealdade e o esforço de quem ajudou a manter a Fibrebond ativa durante períodos difíceis. Funcionários com mais tempo de casa receberam quantias ainda maiores. “Era uma maneira de agradecer a quem ficou quando não era fácil”, explicou o empresário ao jornal.

A notícia pegou muitos de surpresa. De acordo com o Wall Street Journal, houve quem desconfiasse da veracidade do bônus e quem se emocionasse ao abrir os envelopes. O valor foi descrito como suficiente para mudar vidas e garantir uma aposentadoria mais tranquila.

Uma das beneficiadas, Lesia Key, contou que chorou ao receber a notícia. Com o dinheiro, quitou a hipoteca da casa e realizou um antigo sonho: abrir uma boutique de roupas em uma cidade vizinha. “Antes, vivíamos de salário em salário. Agora posso viver”, relatou.

Outros funcionários usaram os recursos para pagar dívidas, trocar de carro, custear estudos universitários ou reforçar a aposentadoria. Houve ainda quem levasse a família para viagens internacionais. O impacto financeiro foi sentido também em Minden, cidade de cerca de 12 mil habitantes onde fica a sede da empresa, com reflexos diretos no comércio local.

“Alguns gastaram tudo no primeiro dia, talvez até na primeira noite. No fim, a decisão é deles”, comentou Walker.

A Fibrebond foi fundada em 1982 por Claud Walker, pai de Graham, com apenas 12 funcionários. A empresa enfrentou momentos críticos ao longo da trajetória, como o incêndio que destruiu a fábrica em 1998 e crises financeiras em 2001, durante o colapso da bolha da internet, e em 2008.

Mesmo após o incêndio, quando a produção ficou paralisada por meses, os salários foram mantidos, fator que ajudou a fortalecer a relação de confiança entre empresa e funcionários. Graham assumiu a gestão nos anos 2000, ao lado do irmão.

Em 2013, a criação da divisão Fibrebond Power marcou uma virada estratégica, com foco em estruturas industriais mais complexas. Nos últimos anos, a empresa ganhou novo impulso ao se tornar fornecedora de data centers, o que atraiu o interesse de compradores.

Walker deixou claro desde o início que só negociaria a venda se a partilha com os funcionários fosse respeitada, mesmo após alertas de que a exigência poderia afastar interessados.

O percentual de 15% não seguiu um cálculo financeiro tradicional. “É mais do que 10%”, resumiu Walker. Ele afirmou que queria fazer algo positivo por Minden, cidade onde vive, e evitar o constrangimento de enriquecer sem dividir o resultado com quem ajudou a construir a empresa.

O empresário disse ainda que se emocionou ao acompanhar as reações da equipe e fez um pedido simples: que, no futuro, os funcionários contem como o dinheiro mudou suas vidas. “Espero chegar aos 80 anos e receber um e-mail contando esse impacto”, afirmou.