Thais Porsch | 10 de janeiro de 2026 - 11h50

Argentina e Paraguai confirmam assinatura de acordo Mercosul União Europeia

Chanceleres dos dois países anunciam que tratado será firmado em 17 de janeiro, no Paraguai, com promessa de ampliar acesso a mercado de 450 milhões de pessoas

ECONOMIA
Argentina e Paraguai confirmam que assinarão em 17 de janeiro o acordo entre Mercosul e União Europeia, após mais de 30 anos de negociações. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Os governos de Argentina e Paraguai confirmaram que vão assinar, no próximo dia 17 de janeiro, o acordo de associação entre Mercosul e União Europeia (UE). O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo ministro de Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, e pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano.

A assinatura será realizada no Paraguai, que atualmente exerce a presidência temporária do Mercosul. O tratado é considerado um marco após mais de 30 anos de negociações entre os dois blocos.

Em publicação na rede X (antigo Twitter), Quirno classificou o entendimento como um acordo “histórico” e “o mais ambicioso entre ambos os blocos”.

“Após mais de 30 anos de negociações, assinaremos em 17 de janeiro, no Paraguai, um acordo histórico e o mais ambicioso entre ambos os blocos”, escreveu o chanceler argentino.

Segundo Pablo Quirno, o tratado dará aos países do Mercosul acesso preferencial à União Europeia, descrita por ele como um mercado de 450 milhões de pessoas, que responde por cerca de 15% do PIB mundial.

De acordo com o ministro, os europeus irão eliminar tarifas para 92% das exportações do Mercosul e conceder acesso preferencial para outros 7,5%. Na prática, isso significa que 99% das exportações agrícolas do bloco sul-americano serão beneficiadas pelas novas regras.

Na visão do governo argentino, o acordo deve abrir espaço para aumento de vendas de produtos agroindustriais e consolidar a presença do Mercosul em um dos mercados mais relevantes do comércio internacional.

Em coletiva de imprensa, o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, reforçou a dimensão do entendimento para a política externa do bloco sul-americano.

Ele afirmou que o acordo Mercosul-União Europeia representa o entendimento mais relevante já alcançado pelo bloco em termos de acesso a mercado.

Segundo Lezcano, a associação estratégica prevê a integração de um mercado de 800 milhões de habitantes, somando os dois lados do Atlântico, com um PIB conjunto equivalente a um quarto do PIB mundial e um fluxo comercial total de aproximadamente US$ 100 bilhões.

Na avaliação do chanceler, o acordo tem potencial para reposicionar o Mercosul no cenário global, ampliando oportunidades para exportações e investimentos em setores como agricultura, indústria e serviços.

Negociado intermitentemente desde os anos 1990, o tratado entre Mercosul e União Europeia passou por diversas rodadas técnicas, mudanças de governo e períodos de maior resistência política, tanto na América do Sul quanto na Europa.

Países europeus, em especial aqueles com forte setor agrícola, vinham demonstrando preocupação com a concorrência de produtos do Mercosul, como carne bovina e outras commodities. Do lado sul-americano, as discussões envolveram temas como regras ambientais, abertura de mercado para produtos industriais europeus e proteção a setores sensíveis.

Com a confirmação de Argentina e Paraguai de que assinarão o texto em 17 de janeiro, o acordo dá um passo importante em direção à implementação, ainda que siga exigindo ratificação interna e eventuais ajustes em cada país.

Para os governos da região, o foco agora é transformar a assinatura em novas oportunidades comerciais e em maior inserção do Mercosul nas cadeias globais de valor.