Leandro Silveira | 09 de janeiro de 2026 - 17h35

Exportações de ovos do Brasil batem recorde em 2025 com avanço forte em volume e receita

Embarques mais que dobram no ano, impulsionados pelos Estados Unidos e pela diversificação de mercados

AGRONEGÓCIO
Exportações de ovos do Brasil atingiram níveis históricos em 2025, segundo a ABPA.

As exportações brasileiras de ovos encerraram 2025 em nível histórico, com recordes tanto em volume quanto em receita, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Considerando ovos in natura e produtos processados, o País embarcou 40.894 toneladas ao longo do ano, crescimento de 121,4% em relação a 2024, quando haviam sido exportadas 18.469 toneladas.

Em termos de faturamento, o desempenho foi ainda mais expressivo. A receita cambial somou US$ 97,240 milhões em 2025, alta de 147,5% na comparação anual. No ano anterior, o setor havia registrado US$ 39,282 milhões em vendas externas, o que evidencia a expansão do valor médio das exportações e a abertura de mercados com maior remuneração.

Os Estados Unidos lideraram o ranking dos principais destinos dos ovos brasileiros em 2025. O país importou 19.597 toneladas, volume 826,7% superior ao registrado no ano anterior. A forte demanda americana foi decisiva para o resultado anual, especialmente no primeiro semestre.

Na sequência aparecem o Japão, com 5.375 toneladas, crescimento de 229,1%, e o Chile, que importou 4.124 toneladas, mas registrou retração de 40% em relação a 2024. O México surge logo depois, com 3.195 toneladas, alta de 495,6%, seguido pelos Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas, avanço de 31,5%.

No recorte mensal, dezembro manteve o ritmo positivo observado ao longo do ano. Os embarques alcançaram 2.257 toneladas, crescimento de 9,9% frente a dezembro de 2024. Em receita, o setor faturou US$ 5,110 milhões no mês, aumento de 18,4% na mesma base de comparação.

Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho de 2025 reflete mudanças relevantes na dinâmica dos mercados compradores. Segundo ele, houve uma forte expansão das vendas para os Estados Unidos, movimento que perdeu intensidade após a adoção de medidas tarifárias.

“O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano”, afirmou Santin, em nota.

De acordo com a ABPA, o volume exportado em 2025 superou o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, patamar considerado relevante para um setor historicamente voltado ao mercado interno. O resultado indica uma mudança gradual no perfil da cadeia produtiva, com maior presença no comércio internacional.

Para 2026, a expectativa da entidade é de continuidade do fluxo exportador em níveis elevados. Segundo Santin, a ampliação da base de compradores e a adaptação das empresas às exigências sanitárias e comerciais internacionais tendem a sustentar os embarques.

“Com a ampliação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, concluiu.