Leonardo Catto e Bruno Accorsi | 09 de janeiro de 2026 - 15h35

MP cria força-tarefa e amplia investigação sobre suspeitas de desvios no São Paulo

Promotores experientes se unem à Polícia Civil para acelerar apuração que envolve dirigentes e a gestão Julio Casares

CRISE NO TRICOLOR
Ministério Público intensifica apuração sobre suspeitas de irregularidades financeiras no São Paulo. - (Foto: Conmebol)

As investigações sobre suspeitas de irregularidades financeiras no São Paulo Futebol Clube devem avançar com maior rapidez nos próximos meses. O Ministério Público decidiu criar uma força-tarefa para apurar denúncias de desvios de dinheiro e outras possíveis ilegalidades envolvendo a atual gestão do clube. A informação foi divulgada pelo Uol e confirmada pelo Estadão.

Os promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro e Tomás Busnardo Ramadan passam a atuar diretamente ao lado do delegado Tiago Fernando Correia, responsável pelo caso na Polícia Civil de São Paulo. A iniciativa tem como objetivo dar mais agilidade e profundidade às apurações, que já se desdobram em diferentes frentes.

José Reinaldo Guimarães Carneiro foi o autor do pedido de abertura do inquérito policial atualmente em andamento. Ele tem histórico de atuação em investigações de grande repercussão no futebol brasileiro, como a Máfia do Apito e o caso de lavagem de dinheiro envolvendo a parceria entre Corinthians e MSI, entre 2006 e 2007. Tomás Busnardo Ramadan também possui experiência em ações contra o crime organizado, o que reforça o peso institucional da força-tarefa.

O São Paulo e a administração comandada pelo presidente Julio Casares entraram no radar das autoridades após uma denúncia anônima, que deu origem a uma série de apurações paralelas. O ponto de partida foi o vazamento de um áudio que expôs um esquema clandestino de comercialização de camarotes no estádio do MorumBis durante noites de shows.

Na gravação, aparecem diretores do clube tratando da negociação irregular. Após a repercussão do caso, Mara Casares e Douglas Schwartzmann, citados no áudio, se afastaram de seus cargos. Diante dos indícios, o Ministério Público solicitou a abertura de inquérito policial, enquanto o São Paulo anunciou a instauração de sindicâncias, uma interna e outra externa, para apurar os fatos.

Além do caso envolvendo camarotes, a Polícia Civil passou a investigar suspeitas de desvios de recursos relacionados à venda de atletas. Segundo as apurações, ao menos 35 saques em dinheiro vivo foram realizados em contas do clube, totalizando cerca de R$ 11 milhões. Essas movimentações financeiras estão entre os principais focos da investigação.

O inquérito também avançou sobre empresas terceirizadas que prestam serviços ao São Paulo. A Off Side, responsável pela logística em partidas de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, é citada como possível intermediária irregular em operações sob investigação. O inquérito menciona ainda dirigentes são-paulinos. Off Side, São Paulo, Carlos Belmonte e Rui Costa, citados pela Polícia Civil, negam qualquer irregularidade.

Os desdobramentos do caso aumentaram a tensão interna no clube e abriram espaço para o fortalecimento da oposição. Grupos contrários à atual diretoria passaram a discutir a possibilidade de afastamento de Julio Casares e já articulam o cenário político de olho na eleição presidencial prevista para 2026.

Em nota, a defesa de Julio Casares afirmou que não há ilegalidades nas movimentações financeiras atribuídas ao dirigente. Representado pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, o presidente do São Paulo sustenta que os valores analisados têm origem lícita. “Todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira”, diz o comunicado.

Com a criação da força-tarefa, a expectativa é que os próximos meses sejam decisivos para o avanço das investigações e para o esclarecimento das denúncias que atingem um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro.