Ludmylla Rocha | 09 de janeiro de 2026 - 13h45

Reservatórios do Sudeste podem fechar janeiro com menos de 50 de capacidade

ONS reduz previsão de chuvas e projeta níveis abaixo de 50 também no Nordeste e no Norte, com Sul como única região acima da média

SISTEMA ELÉTRICO
Reservatório de hidrelétrica no Sudeste, região conhecida como "caixa d'água do País", deve terminar janeiro com menos de 50 da capacidade, segundo o ONS. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, conhecidos como a “caixa d’água do País”, devem terminar janeiro com menos da metade de sua capacidade. Atualização do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que a energia armazenada na região deve ficar em 46,7% no fim do mês, abaixo da projeção anterior, que era de 52,0%.

Segundo o boletim divulgado nesta sexta-feira, 9, a Energia Armazenada (EAR) nas usinas do Sudeste/Centro-Oeste está atualmente em 43,0%. Ou seja, mesmo com a previsão de leve alta até o fim de janeiro, o patamar esperado de 46,7% ficou bem abaixo do que o ONS previa antes, 52,0%.

A revisão está diretamente ligada à queda nas chuvas sobre os reservatórios, medida pela Energia Natural Afluente (ENA). Na estimativa anterior, a afluência na região estava projetada em 82% da Média de Longo Termo (MLT). Agora, o índice recuou para 65% da média histórica, o equivalente a 42.820 MWmed.

Na prática, isso significa que as hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste estão recebendo menos água do que se imaginava no início do mês, o que reduz a capacidade de recuperar os reservatórios em ritmo mais acelerado.

O boletim do ONS mostra que o Nordeste segue a mesma tendência de frustração nas chuvas. A expectativa de armazenamento para o fim de janeiro caiu de 53,2% para 49,6%.

Mesmo assim, o nível projetado ainda representa uma pequena melhora em relação à situação atual. De acordo com o operador, se a previsão se confirmar, haverá um aumento de 2,3 ponto porcentual em relação ao que está medido hoje nos reservatórios nordestinos.

A ENA do Nordeste também foi revisada para baixo. A projeção passou de 48% para 41% da média histórica, o que corresponde a 5.452 MWmed. Com menos água chegando aos reservatórios, o ritmo de recuperação fica limitado, e a região tende a fechar o mês apenas encostando na marca de 50% de armazenamento.

No Norte, o quadro também piorou em relação ao boletim anterior. A previsão de armazenamento para o fim de janeiro recuou para 50,5%, queda de 9,6 pontos porcentuais em relação à estimativa anterior.

A mudança reflete uma revisão importante na expectativa de chuvas. A ENA esperada para o Norte caiu de 90% para 59% da média histórica, o que representa 9.333 MWmed.

Com menos água entrando nos reservatórios, a região deve encerrar o mês pouco acima dos 50%, em contraste com o cenário mais confortável que vinha sendo desenhado antes da nova projeção.

Entre os quatro submercados do País, o Sul é o único em que o ONS ainda espera chuvas acima da média para janeiro. A projeção de afluência ficou em 7.731 MWmed, o equivalente a 102% da MLT.

Mesmo assim, houve ajuste para baixo. No boletim anterior, o índice era maior, e a nova estimativa representa uma redução de 2 pontos porcentuais nas chuvas esperadas, embora ainda em patamar acima da média histórica.

No armazenamento, a perspectiva também é de recuo. Os reservatórios do Sul devem terminar janeiro com 63,7% de capacidade, abaixo dos 69,6% medidos atualmente. Ou seja, mesmo com chuvas ligeiramente acima da média, a região tende a usar mais água do que recebe ao longo do mês.

O conjunto de dados do ONS mostra que, em quase todo o sistema, janeiro deve ser mais seco do que se projetava inicialmente. Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte tiveram as previsões de afluência reduzidas, o que se reflete diretamente nas estimativas de armazenamento.

A “caixa d’água do País”, formada pelos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, continuará em nível intermediário, sem chegar à metade da capacidade neste começo de ano. Nordeste e Norte também oscilam em torno da marca de 50%, enquanto o Sul, mesmo com chuvas acima da média, deve fechar o mês em patamar inferior ao que registra hoje.

Com o novo boletim, o operador ajusta as expectativas para o restante de janeiro e indica um cenário mais conservador em relação à recuperação dos reservatórios em praticamente todo o País.