Inflação de 2025 fica em 4,26 e governo comemora resultado dentro da meta
Durigan diz que país vive combinação de inflação e desemprego baixos e projeta cenário positivo também para 2026
ECONOMIAA inflação oficial de 2025 fechou em 4,26% e virou motivo de celebração no Ministério da Fazenda. Em publicação nesta sexta-feira (9), no perfil da pasta no X, o secretário-executivo Dario Durigan, que responde como ministro interino durante as férias de Fernando Haddad, afirmou que o resultado ficou “dentro da meta e com a 5ª menor inflação desde 1995”. Para ele, os números confirmam a estratégia do governo de buscar a menor inflação acumulada de um mandato presidencial desde o início do Plano Real.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência oficial para a inflação no país, encerrou 2025 com alta de 4,26%. Durigan destacou que o percentual não só respeitou o objetivo traçado pelo governo, como também se situa entre os cinco menores índices anuais registrados desde 1995, ano em que o Plano Real consolidou a estabilização da moeda.
Na avaliação do secretário, o resultado reforça o discurso de previsibilidade econômica. Em tom de balanço, ele lembrou que a equipe econômica vem defendendo desde o início do mandato uma combinação de responsabilidade fiscal com controle de preços e disse que o governo está “firme para entregar a menor inflação acumulada de um mandato presidencial do Plano Real”.
O comentário foi feito em publicação nas redes sociais do Ministério da Fazenda, em que Durigan aparece como ministro substituto por conta das férias do titular, Fernando Haddad. A mensagem reforça a tentativa do governo de associar o desempenho da inflação à política econômica adotada nos últimos anos.
Ao projetar o restante do mandato, Durigan foi além do resultado de 2025 e usou o IPCA como vitrine de um pacote mais amplo de indicadores. Para o secretário, a combinação de números atuais permite traçar uma comparação favorável com outros períodos recentes da economia brasileira.
“Mas não paramos por aí. Com a estabilidade econômica e fiscal que devolvemos ao Brasil, colhemos bom crescimento do PIB, baixo desemprego, aumento da renda real do trabalho e quedas da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade. Não tenham dúvidas: em 2026 não será diferente!”, afirmou.
A fala indica a intenção do governo de transformar o desempenho da inflação e do mercado de trabalho em trunfo político e econômico até o fim do mandato. Ao mencionar a busca pela “menor inflação acumulada de um mandato presidencial do Plano Real”, Durigan procura situar o período atual dentro de uma linha histórica que começa em meados dos anos 1990, quando a economia brasileira passou a conviver com níveis mais baixos de inflação após décadas de instabilidade.
Segundo o secretário, o resultado de 4,26% em 2025 veio melhor do que o esperado em boa parte do ano. Durigan lembrou que, no primeiro semestre, as projeções do Boletim Focus — relatório semanal que reúne expectativas de instituições financeiras — chegaram a indicar um IPCA de 5,6% para o fechamento do ano.
Ao comparar o número final com essas estimativas, o Ministério da Fazenda reforça o argumento de que a inflação veio abaixo do que o mercado projetava. Para o governo, isso reforça a narrativa de que a condução da política econômica, aliando contenção de gastos e medidas para estimular o crescimento, ajudou a reduzir a pressão sobre os preços.
Esse ponto é usado por Durigan para sustentar a ideia de que a inflação sob controle não foi apenas resultado de fatores pontuais, mas de um conjunto de decisões que, segundo ele, devolveram “estabilidade econômica e fiscal” ao país.
Durigan também chamou atenção para o comportamento dos alimentos em 2025. De acordo com o secretário, os preços desse grupo subiram 1,43% ao longo do ano, variação considerada menor em comparação com outros períodos recentes de alta inflacionária.
Embora o percentual ainda represente aumento, o Ministério da Fazenda destaca que uma evolução mais moderada dos alimentos tem efeito direto na vida das famílias, especialmente as de renda mais baixa, que destinam maior parte do orçamento para alimentação. Ao mencionar esse dado, o secretário reforça a mensagem de que o controle de preços não ficou restrito a segmentos específicos, mas alcançou itens sensíveis do dia a dia.
A leitura do governo é que uma alta mais contida dos alimentos ajuda a sustentar a percepção de melhora das condições econômicas, principalmente quando combinada com crescimento da renda real do trabalho e recuo da pobreza e da extrema pobreza, pontos também citados por Durigan.
Além da inflação, o secretário-executivo comparou os números atuais de emprego com os de 2018. “Os 4,26% são o menor IPCA desde 2018. Mas, em 2018, o desemprego estava em 11,6%. Agora está em 5,2%. Estamos entregando inflação e desemprego baixos”, afirmou.
Ao fazer esse paralelo, Durigan busca reforçar a ideia de que o cenário atual é mais favorável que o de sete anos atrás, quando o país tinha uma inflação semelhante, porém com taxa de desemprego bem mais alta. No discurso do governo, a relevância do dado não está apenas no nível dos preços, mas na combinação entre custo de vida e chances de ocupação para a população.
A mensagem é dirigida tanto ao mercado quanto ao público em geral: a inflação mais baixa, quando acompanha uma melhora expressiva do emprego, tende a ser percebida de forma mais concreta no cotidiano, já que mais pessoas têm renda e veem o dinheiro sofrer menos com a perda de poder de compra.
Ao afirmar que “em 2026 não será diferente”, Durigan projeta a manutenção do quadro de inflação controlada e desemprego mais baixo para o último ano do mandato. A frase também indica que a equipe econômica já trabalha para transformar os resultados de 2025 em base de comparação para o próximo período.
O tom da publicação no X revela uma disputa de narrativa em torno dos indicadores. Enquanto críticos costumam apontar desafios ainda presentes na economia, o Ministério da Fazenda tenta consolidar a ideia de que o país vive um momento de estabilidade, com inflação sob controle, melhora no mercado de trabalho e avanço em indicadores sociais, como pobreza e desigualdade.
Sem apresentar novos números além dos já citados, Durigan aposta na repetição de algumas mensagens-chave: estabilidade econômica e fiscal, crescimento do PIB, baixa inflação, desemprego em queda e redução das desigualdades. O objetivo é fixar esses pontos como marca da atual gestão na área econômica.
Embora a discussão sobre IPCA, projeções do Focus e histórico do Plano Real pareça distante da rotina de quem acompanha as notícias no dia a dia, os dados apresentados pelo Ministério da Fazenda têm impacto direto no bolso e nas expectativas de consumo.
Inflação mais baixa tende a preservar melhor o poder de compra dos salários. Quando isso vem acompanhado de queda no desemprego, como destacou Durigan, mais pessoas conseguem renda para fazer frente às despesas e planejar o futuro.
Ao enfatizar a alta menor dos alimentos, de 1,43% no ano, o secretário fala diretamente a um ponto sensível do orçamento das famílias. Em um contexto em que a população ainda se recupera de períodos de maior aperto, qualquer alívio nos preços dos itens básicos ajuda a reforçar a percepção de melhora gradual da economia.
Ao mesmo tempo, a insistência do governo na meta de entregar a menor inflação de um mandato presidencial do Plano Real mostra que os números de 2025 são vistos internamente como vitrine. A partir deles, a equipe econômica projeta 2026 como um ano em que o desafio será manter esse patamar e convencer a população de que a estabilidade chegou para ficar.