Cícero Cotrim | 08 de janeiro de 2026 - 18h15

MP pede que TCU solicite à PF dados de investigações sobre liquidação do Banco Master

Pedido cita apurações sobre venda de créditos inexistentes e ataques ao Banco Central nas redes

CASO MASTER
MPTCU solicita que o TCU peça à PF informações de investigações sobre a liquidação do Banco Master. - (Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo)

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu que o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, solicite à Polícia Federal o compartilhamento de informações de investigações relacionadas à liquidação do Banco Master. O requerimento foi protocolado nesta quinta-feira (8) pelo subprocurador-geral Lucas Furtado.

No pedido, Furtado menciona a operação Compliance Zero, da PF, que apura a suposta venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A investigação levou à prisão do controlador do Master, Daniel Vorcaro, em 17 de novembro. Ele foi solto posteriormente e passou a usar tornozeleira eletrônica.

O subprocurador também cita apurações da PF sobre ataques coordenados ao Banco Central nas redes sociais após a liquidação do banco, episódio revelado pelo Estadão. Segundo o pedido, as ações teriam como objetivo influenciar a opinião pública e comprometer a credibilidade da autoridade monetária.

Para o MPTCU, as investigações em curso guardam relação direta com a fiscalização a ser conduzida pelo TCU. Por isso, Furtado defende que o tribunal tenha acesso tempestivo às informações reunidas pela Polícia Federal, uma vez que os resultados podem impactar o desfecho das análises da Corte de contas.

Ataques nas redes e contratos

Reportagem publicada na terça-feira (6) mostrou que instituições e pessoas ligadas ao caso sofreram ofensivas nas redes sociais pouco antes do fim do ano. Apenas em 27 de dezembro, foram contabilizadas 4.560 postagens questionando a atuação de órgãos como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

As críticas também atingiram o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução Renato Gomes. Influenciadores fora do meio financeiro foram procurados para impulsionar conteúdos contra o BC.

Em ao menos um contrato obtido pelo Estadão, aparecem as iniciais de Daniel Vorcaro e a previsão de multa de R$ 800 mil por quebra de sigilo. O documento fazia referência ao chamado “projeto DV”, em alusão ao empresário.

Inspeção no BC é suspensa

No mesmo dia, o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, recuou da decisão que determinava uma inspeção in loco no Banco Central. Ele pediu que o tema seja analisado pelo plenário do tribunal, que retoma os trabalhos após o recesso na sexta-feira (16).

A mudança ocorre depois de o BC recorrer contra a decisão monocrática e em meio a críticas internas de que a iniciativa, tomada durante o período de férias, poderia prejudicar a imagem institucional do TCU.