Naomi Matsui | 08 de janeiro de 2026 - 12h30

Randolfe Rodrigues diz que pode faltar viabilidade para CPI do Master pelo calendário eleitoral

Líder do governo diz que Planalto ainda avalia apoiar CPI sobre Banco Master e cita possível esvaziamento do Congresso em ano eleitoral.

POLÍTICA
Líder do governo, Randolfe Rodrigues diz que CPI do Master pode esbarrar no calendário eleitoral, mas defende que investigações continuem. - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta quinta-feira (8) que o Palácio do Planalto ainda não definiu se apoiará a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. Segundo ele, pode faltar “viabilidade pragmática” para o funcionamento da comissão por causa do calendário eleitoral de 2026, que tende a esvaziar o Congresso no segundo semestre.

“Não sei se há viabilidade pragmática do funcionamento do Congresso Nacional que possibilita a CPI, mas o governo não tem nenhum veto a qualquer tipo de investigação, seja qual for. Inclusive, sobre a CPI, nós vamos avaliar”, disse Randolfe, no Palácio do Planalto, antes da cerimônia em memória aos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023.

O senador afirmou que o governo é favorável à continuidade das apurações sobre possíveis fraudes envolvendo o Banco Master e saiu em defesa do Banco Central, alvo de ataques nas redes sociais.

“A posição do governo é que as investigações sigam e ocorram. A posição que temos é que o Banco Central tem que ser respeitado nas suas atribuições. A posição do governo é que as investigações aconteçam, custe o que custar, atinja quem tiver que atingir”, reforçou.

A proposta de instalação da CPI do Master é articulada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que afirma já ter obtido as assinaturas necessárias para protocolar o pedido. Caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidir se autoriza ou não a criação do colegiado. Alcolumbre costuma se posicionar contra o funcionamento de CPIs, por considerar que elas travam a pauta do Congresso.

Randolfe citou esse contexto ao falar de “viabilidade pragmática” para uma eventual comissão em pleno ano eleitoral, quando o Plenário tende a ficar mais esvaziado por causa das disputas municipais.

Veto ao projeto da dosimetria - O senador também comentou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que reduzia as penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Segundo Randolfe, o governo vai atuar para manter a decisão no Congresso.

“Vai ser natural a nossa parte também mobilizar para que o veto seja mantido”, afirmou. O veto foi anunciado nesta quinta-feira, durante a cerimônia em memória do 8 de Janeiro, no Palácio do Planalto.

Ausência de Alcolumbre e Motta no ato do 8 de Janeiro - Randolfe também comentou a ausência de Davi Alcolumbre e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na cerimônia desta quinta.

“O ano passado não foi diferente. É uma escolha que tem que ser respeitada, a dos presidentes das Casas. O importante é que a data de hoje tem que ser sempre lembrada, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”, declarou o líder do governo.