Vanessa Araujo | 07 de janeiro de 2026 - 17h20

Fachin diz que atos de 8 de janeiro foram tentativa organizada de ruptura democrática

Presidente do STF afirma que ataques não podem ser tratados como manifestação política

POLÍTICA
Presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que os atos de 8 de janeiro não foram manifestação política. - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, tiveram como objetivo romper a ordem democrática e não podem ser classificados como manifestação política. Para o ministro, o episódio representa um marco de alerta permanente sobre os riscos enfrentados pela democracia brasileira.

Em entrevista ao Valor Econômico, Fachin avaliou que os atos buscaram desacreditar o resultado das eleições e intimidar os Poderes da República. Na análise do presidente do STF, tratou-se de uma ação coordenada contra o Estado Democrático de Direito, considerada uma das mais graves desde o processo de redemocratização do país.

“O ataque às instituições brasileiras ocorrido em 8 de janeiro de 2023 representou uma das mais graves afrontas ao Estado Democrático de Direito desde a redemocratização do país. Não se tratou de manifestação política, mas de uma tentativa organizada de ruptura”, afirmou.

Segundo Fachin, os ataques foram o ponto mais crítico de um processo contínuo de desgaste institucional, conduzido de forma deliberada. Ele destacou que, apesar da gravidade do episódio, a reação das instituições demonstrou a capacidade de resposta do sistema democrático brasileiro.

O ministro também defendeu a atuação do Supremo no enfrentamento da crise. De acordo com ele, a Corte atuou dentro de suas atribuições constitucionais ao conduzir a resposta institucional aos ataques e ao garantir a preservação da ordem democrática.

“Diante desse cenário, o Supremo Tribunal Federal cumpriu seu papel de guardião da Constituição”, declarou.

Fachin ressaltou ainda que os responsáveis pelos atos foram identificados e responsabilizados com observância do devido processo legal. Para o presidente do STF, isso evidencia que a democracia brasileira é capaz de resistir quando sustentada por instituições estruturadas.

“A democracia não é frágil quando suas instituições são fortes. O 8 de Janeiro mostrou que o Brasil possui instituições capazes de resistir, reagir e se recompor diante de ameaças autoritárias”, disse.

Ao concluir, o ministro afirmou que o episódio deve ser lembrado não apenas como um evento recente da história política do país, mas como um compromisso contínuo com a defesa das instituições e da convivência democrática.

“Defender as instituições não é um ato ideológico, é um dever cívico”, concluiu Fachin.