05 de janeiro de 2026 - 15h45

China e Rússia condenam ação dos EUA na Venezuela e pedem libertação de Maduro

Em reunião de emergência na ONU, países classificam ataque como ilegal e acusam Washington de violar normas internacionais

INTERNACIONAL
Conselho de Segurança da ONU debate ação militar dos Estados Unidos na Venezuela durante reunião de emergência. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

China e Rússia reagiram com dureza à ação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, realizada no sábado (3), e cobraram a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. As manifestações ocorreram durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nesta segunda-feira (5), em Nova York.

O embaixador da China na ONU, Fu Cong, afirmou que o governo chinês recebeu a operação com “profundo choque” e condenou o que classificou como atos ilegais e de intimidação por parte dos Estados Unidos. Segundo ele, a conduta norte-americana desrespeita princípios básicos do direito internacional.

De acordo com o diplomata, a comunidade internacional já vinha expressando preocupação com sanções, bloqueios e ameaças de uso da força contra a Venezuela. Fu Cong afirmou que, mesmo sendo membro permanente do Conselho de Segurança, os Estados Unidos ignoraram essas manifestações e violaram a soberania venezuelana, além do princípio da não interferência em assuntos internos de outros países.

“A proibição do uso da força nas relações internacionais foi claramente infringida”, declarou o embaixador chinês durante a sessão.

Críticas ainda mais duras vieram da Rússia. O representante russo na ONU, Vasily Nebenzya, disse que o episódio representa um grave retrocesso nas relações internacionais e demonstra desrespeito às leis internacionais e ao princípio da não intervenção.

Segundo Nebenzya, a retirada forçada de Nicolás Maduro do território venezuelano, acompanhada de mortes de cidadãos venezuelanos e cubanos, simboliza um retorno a um cenário marcado pela imposição de poder pela força. Para o diplomata, não há qualquer justificativa para a ação conduzida pelos Estados Unidos em Caracas.

“O sequestro do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, se tornou, aos olhos de muitos, um retrocesso a um mundo sem leis. Condenamos firmemente a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela em desacordo com todas as normas internacionais”, afirmou.

O representante russo também pediu a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, a quem se referiu como presidente legitimamente eleito. Ele declarou ainda solidariedade do povo russo aos venezuelanos diante do que classificou como agressão externa e afirmou apoio irrestrito ao governo bolivariano.

Nebenzya acrescentou que, na avaliação de Moscou, os Estados Unidos não escondem o interesse pelo petróleo venezuelano e demonstram, segundo ele, uma postura imperialista em relação à América Latina. O diplomata defendeu que a comunidade internacional se una contra o uso da força como instrumento de política externa.

A operação militar norte-americana ocorreu no sábado e, segundo relatos apresentados na ONU, envolveu a retirada forçada de Nicolás Maduro e Cilia Flores do país. A ação provocou confrontos, resultou na morte de integrantes das forças de segurança do presidente e causou explosões em Caracas, capital venezuelana.

Após a operação, Maduro foi levado para Nova York. O governo dos Estados Unidos afirma que o presidente venezuelano será julgado no país por acusações relacionadas a uma suposta ligação com o tráfico internacional de drogas.

Nesta segunda-feira, Maduro e Cilia Flores foram levados ao Tribunal Federal de Nova York para uma audiência de custódia. De acordo com as autoridades norte-americanas, o casal será oficialmente notificado das acusações que pesam contra eles. Ambos estão detidos em um presídio federal localizado no bairro do Brooklyn, também em Nova York.

O caso ampliou a tensão diplomática entre potências globais e reacendeu o debate sobre limites da atuação militar e soberania nacional dentro do Conselho de Segurança da ONU.