André Carlos Zorzi | 04 de janeiro de 2026 - 21h30

Prisão de Maduro divide políticos e influenciadores no Brasil

Ação dos EUA provoca troca de acusações nas redes e posicionamentos opostos de partidos

POLÍTICA
Prisão de Nicolás Maduro gera reações opostas entre políticos e partidos brasileiros. - (Foto: Marcelo Camargo/ABrasil)

A operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura e prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, desencadeou uma série de embates políticos no Brasil. O episódio gerou reações imediatas de autoridades, parlamentares, partidos e influenciadores de diferentes espectros ideológicos, sobretudo nas redes sociais, onde críticas, ironias e ataques diretos marcaram o debate.

O tema ganhou força após declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e rapidamente passou a ocupar o centro das discussões políticas, evidenciando a polarização em torno da política externa brasileira e da postura do governo federal diante da crise venezuelana.

Gleisi Hoffmann critica Tarcísio de Freitas

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu às falas de Tarcísio de Freitas dadas em entrevista ao Estadão no sábado (3). Na ocasião, o governador paulista afirmou que havia um entendimento de que o regime de Maduro era insustentável e prejudicial à América do Sul.

Tarcísio também criticou o posicionamento do governo Lula, que condenou a operação norte-americana. Segundo ele, a ação dos Estados Unidos teria ocorrido pela ausência de liderança regional. Para o governador, o Brasil poderia ter desempenhado um papel mais ativo em um processo de transição política na Venezuela.

A resposta de Gleisi veio pelas redes sociais. Em publicação no X, a ministra acusou Tarcísio de alinhamento com Donald Trump e classificou suas declarações como cínicas. Ela também associou o governador a pautas bolsonaristas e rejeitou a ideia de que o governo brasileiro tenha responsabilidade pela ação militar dos Estados Unidos.

Nikolas Ferreira e Jones Manoel trocam ataques

O deputado federal Nikolas Ferreira também entrou no debate e protagonizou uma troca de ofensas com o influenciador Jones Manoel. O embate começou após Nikolas publicar uma montagem que mostrava o presidente Lula sendo escoltado por militares americanos, em referência à prisão de Maduro.

Jones Manoel reagiu de forma contundente, acusando o parlamentar de defender a intervenção estrangeira e fazendo críticas pessoais. Nikolas respondeu com ironia, mantendo o tom provocativo. A troca rapidamente ganhou repercussão e foi compartilhada por apoiadores e críticos de ambos os lados.

Jones Manoel é conhecido por defender posições mais radicais à esquerda e ganhou projeção nacional nos últimos anos por sua atuação nas redes sociais e participações em debates públicos.

Partidos divulgam notas oficiais

A repercussão também chegou às siglas partidárias. O Partido dos Trabalhadores divulgou nota em que condena a ação militar dos Estados Unidos, classificando o episódio como a mais grave agressão internacional registrada na América do Sul neste século. O texto cita bombardeios em Caracas e define a prisão de Maduro como sequestro.

O PSOL também se manifestou, chamando a operação de criminosa e afirmando que a ação feriu o direito de autodeterminação da Venezuela e da América Latina. A legenda mencionou pânico entre a população civil e descreveu a prisão de Maduro como desaparecimento forçado.

O PCdoB seguiu linha semelhante e classificou a ofensiva norte-americana como terrorismo internacional.

Em sentido oposto, o partido Novo celebrou a prisão do presidente venezuelano. Em publicação nas redes sociais, afirmou que se trata da melhor notícia recebida pelos venezuelanos em décadas e associou Maduro a censura, prisões arbitrárias, tortura, execuções e miséria.

O Agir também apoiou a captura, descrevendo Maduro como um tirano autoritário e criminoso, responsável por graves violações de direitos humanos e pela destruição das instituições democráticas do país.

Já o PSDB adotou uma posição intermediária. Em nota, repudiou a invasão norte-americana por considerar a ação uma violação da soberania venezuelana, mas voltou a classificar o governo de Maduro como uma ditadura responsável por uma crise humanitária prolongada.