Redação O Estado de S. Paulo | 03 de janeiro de 2026 - 16h45

Após ataque à Venezuela, Trump diz que cartéis comandam o México e cobra ação

Presidente dos EUA afirma que narcotráfico domina o país vizinho e sugere que algo terá de ser feito

INTERNACIONAL
Trump afirmou que cartéis comandam o México e disse que "algo terá que ser feito" - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Após ordenar o ataque militar à Venezuela e anunciar a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, neste sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou o discurso contra o narcotráfico na região e afirmou que “alguma coisa terá que ser feita com o México” diante da atuação dos cartéis de drogas.

A declaração foi feita durante entrevista à emissora Fox News, concedida poucas horas depois da operação em território venezuelano. Questionado se a ofensiva poderia ser interpretada como um recado ao México e à presidente Claudia Sheinbaum, Trump disse que não era essa a intenção, mas reforçou críticas à situação do país vizinho.

Segundo o presidente americano, os cartéis de narcotraficantes exercem controle efetivo sobre o território mexicano. “Os cartéis estão comandando o México; ela não está comandando o México”, afirmou. Trump disse ainda que poderia adotar um discurso mais diplomático, mas que isso não refletiria a realidade.

Ele classificou Claudia Sheinbaum como “uma boa mulher”, mas afirmou que a presidente mexicana teria medo das organizações criminosas. Trump relatou, inclusive, uma suposta conversa com a chefe do Executivo mexicano. “Eu perguntei a ela: ‘Você gostaria que nós eliminássemos os cartéis?’ e ela disse que não”, declarou.

Trump voltou a associar o narcotráfico à crise de saúde pública nos Estados Unidos, citando números elevados de mortes por overdose. “Perdemos 300 mil pessoas para as drogas, e elas entram principalmente pela fronteira sul. Alguma coisa vai ter que ser feita em relação ao México”, disse, sem detalhar se considera uma operação militar ou outro tipo de ação em território mexicano.

Até o momento, a presidente Claudia Sheinbaum não comentou diretamente as declarações de Trump. Mais cedo, porém, ela se manifestou de forma crítica à ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Em publicação nas redes sociais, Sheinbaum citou a Carta das Nações Unidas, lembrando que os países-membros devem se abster do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de outros Estados. “Os membros da Organização, em suas relações internacionais, se absterão de recorrer à ameaça ou ao uso da força”, escreveu.

Apesar de Trump tratar Venezuela e México sob a mesma ótica do combate ao narcotráfico, os dois países vivem contextos políticos distintos. A Venezuela estava sob um regime autoritário liderado por Nicolás Maduro há quase 13 anos, marcado por denúncias de fraudes eleitorais e repressão política.

O México, por sua vez, é governado por Claudia Sheinbaum, eleita democraticamente em 2024 para um mandato de seis anos. Ainda assim, o enfrentamento ao crime organizado e à violência ligada aos cartéis é um dos principais desafios de seu governo, em um cenário que segue pressionando as relações diplomáticas com os Estados Unidos.

As declarações de Trump reforçam a preocupação internacional com a possibilidade de ampliação das ações militares norte-americanas na América Latina e aprofundam o debate sobre soberania, segurança regional e os limites do combate ao narcotráfico.