Redação O Estado de S. Paulo | 03 de janeiro de 2026 - 15h00

María Corina defende transição democrática após ataque dos EUA e captura de Maduro

Opositora pede mobilização dos venezuelanos e diz que país vive horas decisivas após ofensiva americana

CRISE NA VENEZUELA
María Corina Machado defendeu transição democrática após ataques dos EUA à Venezuela - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

A líder opositora venezuelana María Corina Machado se pronunciou neste sábado (3) sobre os ataques realizados pelos Estados Unidos à Venezuela e defendeu uma transição democrática no país. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que o momento é decisivo e que a ofensiva abre caminho para a reconstrução institucional e a libertação do povo venezuelano.

Principal adversária política de Nicolás Maduro e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025, María Corina afirmou que a captura do presidente venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores, representa a aplicação da lei internacional. Segundo ela, Maduro deverá responder por crimes cometidos durante seu governo.

“Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa”, escreveu a opositora. No texto, ela sustenta que os Estados Unidos “fizeram valer a lei” ao prender Maduro, que, segundo sua avaliação, enfrentará agora a justiça internacional por “crimes atrozes”.

O pronunciamento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro e Cilia Flores durante uma operação militar em território venezuelano. A ação foi precedida por uma série de bombardeios em Caracas e em outras cidades do país, segundo informações divulgadas pelo próprio governo americano.

No mesmo comunicado, María Corina afirmou que Edmundo González Urrutia, candidato opositor reconhecido pelos Estados Unidos como vencedor das eleições de 2024, assumirá imediatamente a presidência. “Venezuelanos, estas são horas decisivas. Saibam que estamos prontos para a grande operação de reconstrução de nossa nação”, diz o texto atribuído à líder opositora.

A declaração, no entanto, amplia o cenário de incerteza institucional. Pela Constituição da Venezuela, em caso de queda do presidente, a sucessão caberia à vice-presidente Delcy Rodríguez, responsável pela política econômica do governo. Diante das circunstâncias descritas após a ofensiva militar, ainda não está claro quem, de fato, assumiria o comando do país.

María Corina também convocou os venezuelanos que vivem dentro e fora do país a se mobilizarem novamente, afirmando que mais detalhes sobre os próximos passos serão divulgados em breve por seus canais oficiais. O tom do pronunciamento reforça o discurso de mudança de regime e de reorganização política após anos de crise.

De acordo com informações divulgadas até o momento, ao menos quatro localidades venezuelanas foram atingidas por ataques militares dos Estados Unidos. Além da capital Caracas, também teriam sido alvos as regiões de La Guaira, Miranda e Aragua. Os principais alvos seriam instalações militares, embora o governo venezuelano afirme que áreas civis também foram atingidas.

Nos Estados Unidos, a ofensiva militar gerou forte reação interna. Deputados e senadores do Partido Democrata afirmaram que o presidente Donald Trump não obteve autorização prévia do Congresso para a ação na Venezuela, o que, segundo eles, tornaria o ataque ilegal à luz da legislação norte-americana. A posição aprofundou a divisão política no Congresso em torno da operação.

Enquanto isso, a situação na Venezuela segue marcada por informações desencontradas, disputas jurídicas e incerteza sobre o comando do país. O pronunciamento de María Corina Machado reforça a pressão por uma mudança imediata no poder, ao mesmo tempo em que amplia o debate internacional sobre a legalidade e as consequências da intervenção dos Estados Unidos.