03 de janeiro de 2026 - 13h30

Diosdado Cabello pede calma à população após ataque dos EUA à Venezuela

Ministro aparece cercado de militares, fala em ataque covarde e diz que país permanece sob controle

CRISE NA VENEZUELA
Diosdado Cabello pediu calma à população venezuelana após os bombardeios dos Estados Unidos - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, divulgou um vídeo no início da manhã deste sábado (3) pedindo calma e tranquilidade à população após o ataque dos Estados Unidos ao país. Cercado por militares armados, Cabello afirmou que o governo mantém o controle da situação e classificou a ofensiva norte-americana como “criminosa” e “covarde”.

Considerado o segundo político mais influente da Venezuela, atrás apenas do presidente Nicolás Maduro, Cabello fez um apelo direto aos venezuelanos para que confiem na condução política e militar diante do cenário de instabilidade.

“Apelamos à calma entre o nosso povo. Confiem na liderança do alto comando político e militar na situação que enfrentamos. Mantenham a calma, não deixem ninguém sucumbir ao desespero, não deixem ninguém facilitar as coisas para o inimigo invasor, o inimigo terrorista que nos atacou covardemente”, declarou.

O pronunciamento ocorreu poucas horas após os bombardeios realizados pelos Estados Unidos e em meio às informações divulgadas por Washington sobre o suposto sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por militares norte-americanos. Até o momento, não há confirmação independente sobre o paradeiro do chefe de Estado venezuelano.

Diante da ausência de informações oficiais, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, exigiu que os Estados Unidos apresentem uma prova de vida de Maduro e de sua esposa. O governo venezuelano afirma que acompanha os acontecimentos e cobra uma resposta da comunidade internacional.

No vídeo, Cabello também acusou os Estados Unidos de atingirem áreas civis durante os ataques e afirmou que o país está preparado para reagir. Segundo ele, a população permanece organizada e consciente do momento vivido.

“Aqui temos um povo organizado, um povo que sabe o que tem que fazer. Esperamos que o mundo se manifeste contra este ataque. Ou as organizações mundiais e organismos globais reconhecerão publicamente sua cumplicidade neste ataque invasor? Diante do assassinato de civis, das bombas caindo sobre prédios e lugares habitados por civis”, afirmou o ministro.

Apesar do tom duro contra Washington, Cabello disse que a situação interna está sob controle e que não houve o efeito esperado pelos Estados Unidos. Ele admitiu, porém, que o governo norte-americano obteve uma vitória apenas parcial com a ofensiva militar.

“O país está completamente calmo. O que eles tentaram fazer com as bombas e mísseis que lançaram só conseguiram parcialmente. Esperavam que o povo se revoltasse, agisse com covardia. Aqui não há covardes”, declarou.

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela é tratado por analistas como mais um capítulo de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última ação desse tipo ocorreu em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos capturaram o então presidente Manuel Noriega, sob acusação de envolvimento com o narcotráfico.

Assim como no caso panamenho, o governo dos EUA acusa Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como “Los Soles”, sem apresentar provas públicas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência formal da organização. Antes da ofensiva, o governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano.

Para críticos da ação, o ataque tem motivações geopolíticas e estratégicas, como o enfraquecimento das relações da Venezuela com países considerados adversários globais dos Estados Unidos, entre eles China e Rússia, além do interesse no controle do petróleo venezuelano, o maior em reservas comprovadas no mundo.

Enquanto o cenário segue indefinido, o governo venezuelano mantém o discurso de resistência e busca apoio internacional, ao mesmo tempo em que tenta evitar pânico interno em meio à escalada do conflito.