Agência Brasil | 03 de janeiro de 2026 - 11h10

Governo brasileiro convoca reunião de emergência após ação militar dos EUA na Venezuela

Itamaraty discute cenário regional após bombardeios e anúncio de captura de Nicolás Maduro

CRISE INTERNACIONAL
Governo brasileiro reúne ministros no Itamaraty para discutir ofensiva dos EUA na Venezuela e crise regional. - (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom)

O governo brasileiro iniciou por volta das 10h30 da manhã deste sábado (3) uma reunião de emergência no Itamaraty, em Brasília, para tratar da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida durante a madrugada. Segundo informações divulgadas pelo governo norte-americano, o presidente venezuelano Nicolás Maduro teria sido capturado e retirado do país, embora o paradeiro oficial ainda não tenha sido confirmado.

Participam do encontro o ministro da Defesa, José Múcio, a ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, além de diplomatas brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha a reunião por videoconferência, já que está no Rio de Janeiro, mas a assessoria informou que ele retorna ainda hoje a Brasília. O chanceler Mauro Vieira, que estava de férias, também retorna à capital federal neste sábado.

De acordo com informações preliminares, forças dos Estados Unidos bombardearam alvos em Caracas e nos estados de Aragua, Miranda e La Guaira. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Maduro foi capturado por militares dos EUA e já estaria fora da Venezuela, mas não foram apresentadas provas oficiais.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, solicitou publicamente prova de vida de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, aumentando a tensão e a incerteza sobre a situação política no país vizinho.

Nas redes sociais, o presidente Lula se manifestou condenando o uso da força contra a Venezuela e alertou para os riscos à estabilidade regional.

“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, declarou o presidente.

O Itamaraty acompanha os desdobramentos e avalia possíveis impactos diplomáticos e de segurança para a América do Sul, enquanto a situação na Venezuela segue em rápida evolução.