03 de janeiro de 2026 - 13h00

Marco Rubio acusa Maduro de chefiar cartel narcoterrorista após ataque dos EUA à Venezuela

Secretário de Estado dos Estados Unidos reforça discurso de Trump, mas não apresenta provas das acusações

CRISE INTERNACIONAL
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fez acusações contra Nicolás Maduro em publicação nas redes sociais - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusou neste sábado (3) o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de comandar uma organização narcoterrorista. A declaração foi feita por meio de uma publicação nas redes sociais, sem a apresentação de provas que sustentem a acusação.

Em seu perfil no X, antigo Twitter, Rubio afirmou que Maduro não seria o presidente legítimo do país e classificou o governo venezuelano como um regime. Segundo ele, o chefe do Executivo estaria à frente do chamado Cartel de los Soles, organização que, de acordo com o discurso norte-americano, atuaria no tráfico internacional de drogas.

“Maduro não é o presidente da Venezuela e seu regime não é o governo legítimo. Maduro é o chefe do Cartel de los Soles, uma organização narcoterrorista que tomou posse do país. E ele é indiretamente acusado de traficar drogas para os Estados Unidos”, escreveu o secretário de Estado.

A manifestação de Rubio ocorre no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou publicamente uma ofensiva militar contra a Venezuela. Em outra publicação, Trump afirmou que a operação teria resultado na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido retirados do país por forças norte-americanas.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, escreveu Trump em sua rede social.

As declarações reforçam o discurso adotado por Washington nas últimas horas, em meio à escalada de tensão diplomática e militar envolvendo os dois países. Até o momento, não há confirmação independente sobre a captura de Maduro, nem informações oficiais sobre seu paradeiro divulgadas por organismos internacionais.

Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, repudiou a ação dos Estados Unidos e negou qualquer legitimidade à presença de tropas estrangeiras em território nacional. Em nota e declarações públicas, Padrino classificou o ataque como “vil e covarde” e fez um apelo à comunidade internacional.

O ministro também solicitou apoio externo diante da ofensiva militar e citou bombardeios realizados por forças norte-americanas contra embarcações nas águas do Caribe nos últimos meses, apontando uma escalada gradual das ações dos Estados Unidos na região.

As acusações de envolvimento de Maduro com o Cartel de los Soles não são novas e já foram utilizadas anteriormente pelo governo norte-americano como argumento para sanções e medidas diplomáticas contra a Venezuela. Especialistas, no entanto, questionam a existência formal da organização e a ausência de provas apresentadas publicamente.

A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela tem provocado reações de diversos países. Governos da América Latina, do Oriente Médio e do Caribe condenaram o ataque e cobraram uma atuação mais firme de organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas, para evitar o agravamento do conflito.

Enquanto isso, o cenário segue instável, com informações divergentes e forte disputa narrativa entre Washington e Caracas, ampliando a preocupação sobre os impactos políticos, humanitários e econômicos da crise.