03 de janeiro de 2026 - 13h45

Presidente de Cuba condena ataque dos EUA à Venezuela e cobra reação internacional

Miguel Díaz-Canel classifica ofensiva como criminosa e diz que a América Latina tem sua Zona de Paz ameaçada

TENSÃO REGIONAL
Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, criticou ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenou neste sábado (3) o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela e classificou a ofensiva como um “ataque criminoso” contra a região. A declaração foi feita por meio das redes sociais e integra uma série de manifestações de governos que repudiam a ação militar norte-americana em território venezuelano.

“Nossa #ZonaDePaz está sendo brutalmente atacada”, escreveu Díaz-Canel, ao afirmar que se trata de terrorismo de Estado contra o povo venezuelano e contra a América Latina. Cuba vive sob embargo econômico imposto pelos Estados Unidos e mantém alinhamento político com o governo de Caracas.

A manifestação do presidente cubano ocorre após bombardeios realizados na madrugada deste sábado em Caracas e em outras regiões da Venezuela, confirmados pelo próprio governo venezuelano como uma agressão militar de grande gravidade. Segundo as autoridades locais, áreas civis e militares foram atingidas.

Díaz-Canel exigiu uma “resposta urgente da comunidade internacional” diante do que classificou como uma agressão direta à soberania venezuelana. O posicionamento acompanha a linha adotada pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba, que também se manifestou de forma contundente contra a ofensiva dos Estados Unidos.

Em publicação nas redes sociais, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que os bombardeios contra Caracas e outras localidades são atos de guerra injustificáveis. “Os bombardeios e atos de guerra contra Caracas e outras localidades do país são atos covardes contra uma nação que não atacou os EUA nem qualquer outro país”, declarou o ministro.

A condenação cubana foi reforçada pelo primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz, que também se pronunciou publicamente. Para ele, os ataques representam uma ameaça direta à estabilidade regional e exigem mobilização imediata de organismos internacionais.

“Os ataques contra Caracas e outras localidades exigem a mobilização urgente da comunidade internacional para defender a América Latina e o Caribe como uma Zona de Paz”, afirmou Marrero Cruz em sua conta oficial.

O governo da Venezuela informou que os ataques atingiram pontos nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, além da capital Caracas. Diante do cenário, as autoridades venezuelanas determinaram o “desdobramento imediato do Comando de Defesa Integral da Nação e dos Órgãos de Direção de Defesa Integral em todos os estados e municípios”, conforme comunicado oficial.

A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela vem sendo amplamente criticada por países da América Latina, do Caribe e também por potências como Rússia e Irã, que classificam a ação como uma violação do direito internacional e da soberania venezuelana.

Enquanto Washington sustenta a narrativa de combate a supostas organizações criminosas ligadas ao governo de Nicolás Maduro, países críticos da operação apontam motivações geopolíticas e estratégicas, incluindo interesses no petróleo venezuelano e o reposicionamento de forças na região.

O agravamento da crise aumenta a pressão sobre organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas, para uma mediação diplomática que evite a escalada do conflito e preserve a estabilidade da América Latina e do Caribe.