Redação | 03 de janeiro de 2026 - 09h40

Brasil abre novos mercados em 58 destinos em 2025 e reforça exportações do agronegócio

Aberturas podem gerar até US$ 37,5 bilhões por ano e reduzem dependência de mercados tradicionais

AGRONEGÓCIO
Brasil amplia presença no mercado internacional com abertura de novos destinos para produtos do agronegócio - (Foto: Divulgação/TCP)

O Brasil ampliou em 2025 o acesso de produtos agropecuários a 58 novos destinos, consolidando um recorde de aberturas comerciais no setor. As novas autorizações se somam às cerca de 300 obtidas ao longo da atual gestão do Ministério da Agricultura, alcançando um total de 82 países. O avanço reforça a estratégia de diversificação das exportações e amplia o alcance do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Segundo o Ministério da Agricultura, o ritmo médio foi de 14 processos concluídos por mês nos últimos três anos. As aberturas já acrescentaram US$ 3,4 bilhões à balança comercial brasileira e têm potencial de gerar até US$ 37,5 bilhões por ano em exportações no prazo de cinco anos, conforme o fluxo comercial seja intensificado.

As proteínas animais lideraram o ranking, com 112 processos de abertura, seguidas por material genético animal (79) e alimentação para animais (61). O México foi o principal destino em número de autorizações, com 24 liberações para produtos do agronegócio brasileiro, de acordo com dados da plataforma Aberturas de Mercado, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais da pasta.

Cada mercado aberto representa a liberação sanitária para exportação de um produto específico a um país onde antes havia restrições comerciais ou sanitárias. No entanto, o aval não significa início imediato das vendas. Após a autorização, ainda são necessários procedimentos como habilitação de empresas, registros e negociações comerciais, processo que costuma levar de seis meses a um ano.

O avanço ocorre em um momento de forte peso do agronegócio na economia brasileira. Entre janeiro e novembro, as exportações do setor somaram US$ 155,25 bilhões, recorde histórico e crescimento de 1,7% na comparação anual. O agronegócio respondeu por 48,8% da pauta exportadora total do país no período.

Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, as aberturas refletem dois movimentos centrais: a necessidade de diversificação da pauta exportadora brasileira e a demanda internacional por segurança alimentar. Para ele, o Brasil se destaca como um dos poucos países com capacidade de contribuir simultaneamente para segurança alimentar, energética e climática.

Entre os destaques do setor privado estão a liberação da carne bovina para o México, após duas décadas de negociações, a exportação de algodão para o Egito, de sorgo para a China e de carne de frango kosher para Israel, com o Brasil sendo o único país autorizado a fornecer o produto dentro dos preceitos religiosos judaicos.

Além das novas aberturas, outros 220 mercados foram ampliados, com medidas como aumento no número de empresas habilitadas, adoção do sistema de pré-listing e ampliação das regiões brasileiras autorizadas a exportar. Essas expansões renderam cerca de US$ 7 bilhões adicionais à balança comercial do agronegócio.

A busca por novos destinos ganhou força após a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros a partir de agosto. A estratégia envolveu atuação direta dos adidos agrícolas e foco em mercados com características semelhantes às exigências americanas. Mesmo com a queda de 4% nas vendas para os EUA, a balança do setor permaneceu positiva.

No segmento de carne bovina, que teve 29 novos mercados abertos, a diversificação ajudou a mitigar os impactos da tarifa americana. Países como Vietnã, Indonésia e México ganharam destaque, com o México assumindo a posição de segundo maior comprador da carne brasileira. Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a ampliação reduz a dependência de mercados isolados e abre uma fase de consolidação das vendas.

Entre as prioridades futuras, seguem as negociações para abertura dos mercados do Japão, Coreia do Sul e Turquia. O Japão é considerado o mais avançado nas tratativas, enquanto os outros ainda dependem de ajustes técnicos.

Especialistas do setor avaliam que, apesar do recorde, os fluxos comerciais ainda enfrentam obstáculos. Barreiras tarifárias, comerciais e ambientais limitam o acesso efetivo a alguns mercados, mesmo após a liberação sanitária. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, destaca que a ampliação de acordos comerciais é essencial para complementar as aberturas sanitárias e garantir competitividade ao produto brasileiro, especialmente na Ásia, região onde o Brasil ainda possui poucos acordos preferenciais.