Agência Estado | 02 de janeiro de 2026 - 19h45

Caixa bloqueia parte da premiação da Copa do Brasil e Corinthians tenta liberar R$ 35 milhões

Valor retido pelo banco corresponde a metade do prêmio líquido pago pela CBF e impacta planejamento do clube para 2026

CORINTHIANS
Caixa bloqueou cerca de R$ 35 milhões da premiação do Corinthians pela Copa do Brasil, valor que o clube tenta liberar para 2026. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O Corinthians teve parte da premiação pelo título da Copa do Brasil retida pela Caixa Econômica Federal, que bloqueou cerca de R$ 35 milhões — aproximadamente metade do valor líquido a que o clube tem direito pela conquista. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo Estadão.

O presidente corintiano, Osmar Stábile, mantém conversas com o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, na tentativa de liberar o montante, considerado estratégico para o planejamento financeiro do clube em 2026. Internamente, a diretoria avalia que a retenção compromete compromissos imediatos, incluindo pagamentos a atletas e a regularização de pendências que afetam o departamento de futebol.

O clube argumenta que o banco estaria usando receitas de 2025 para abater juros cujo vencimento ocorreria apenas em 2026. Já a Caixa sustenta a legalidade da retenção com base nos contratos de cessão fiduciária firmados com o Corinthians, que permitem a retenção de recebíveis previstos como garantia.

A dívida do Corinthians com a Caixa supera R$ 600 milhões e está ligada à construção da Neo Química Arena. Em 2022, ainda sob a gestão de Duílio Monteiro Alves, o clube renegociou o débito e ofereceu como garantia receitas como bilheteria, aluguel do estádio e outros recebíveis.

Pelo acordo, a Caixa pode reter valores para se proteger contra inadimplência, inclusive juros futuros e correções, independentemente do ano de vencimento. Procurada, a Caixa não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação deste texto.

A CBF pagou R$ 77 milhões ao Corinthians pelo título da Copa do Brasil. Descontados os impostos, o clube teria direito a R$ 69 milhões, mas não recebeu integralmente devido ao bloqueio de metade do valor pela Caixa.

Do total, cerca de R$ 34 milhões haviam sido prometidos pela diretoria aos jogadores como bônus pela conquista. O restante seria destinado ao pagamento de dívidas e à tentativa de derrubar o transfer ban imposto pela Fifa.

A punição, aplicada em agosto do ano passado, impede o Corinthians de registrar novos atletas por três janelas de transferências. A sanção decorre de uma dívida de R$ 40 milhões com o Santos Laguna, referente à contratação do zagueiro equatoriano Félix Torres.

Presidente do Corinthians à época da renegociação com a Caixa, Duílio Monteiro Alves afirmou, em nota, que a retenção só ocorreu porque há parcelas em aberto do acordo. Segundo ele, a renegociação reduziu uma contingência de R$ 3 bilhões para R$ 700 milhões e, no último ano de sua gestão, foram quitados R$ 80 milhões.

Duílio afirmou ainda que o pagamento deveria ter sido priorizado nos anos seguintes e que, se receitas dadas como garantia foram bloqueadas, isso indica inadimplência. O ex-presidente criticou o que chamou de tentativa de “demonizar” os acordos que viabilizaram a quitação do estádio e disse que sua gestão deixou o clube com três superávits consecutivos entre 2021 e 2023.