Dólar cai mais de 1% e fecha no menor nível desde meados de dezembro
Real lidera ganhos entre moedas emergentes no primeiro pregão de 2026
ECONOMIAO dólar iniciou 2026 em forte queda frente ao real, em um movimento marcado por ajustes técnicos e realização de lucros após a valorização acumulada no fim do ano passado. No primeiro pregão do ano, nesta sexta-feira (2), a moeda americana recuou 1,16%, encerrando o dia cotada a R$ 5,4256, menor valor de fechamento desde 15 de dezembro.
Ao longo da sessão, o dólar à vista chegou a tocar a mínima de R$ 5,4166. Nos dois últimos pregões, a divisa já acumula queda de 2,57% em relação ao real. Em 2025, o dólar terminou com recuo de 11,18%, a maior desvalorização anual desde 2016.
A leitura do mercado é de que o real começa o ano tentando se recuperar das perdas recentes, beneficiado pelo fim da pressão sazonal das remessas de recursos ao exterior e pela atratividade das operações de carry trade, impulsionadas pelo amplo diferencial de juros entre o Brasil e o exterior.
O desempenho da moeda brasileira foi o melhor entre divisas emergentes e de países exportadores de commodities mais líquidas. Peso mexicano e rand sul-africano avançaram cerca de 0,5% frente ao dólar. Já o índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de seis divisas fortes, subia aproximadamente 0,15% no fim da tarde, aos 98,46 pontos, indicando que a queda do dólar foi um movimento local.
Segundo Marcos Weigt, diretor da Tesouraria do Travelex Bank, o real havia perdido cerca de 6% em dezembro frente ao peso mexicano e ao peso chileno. “Isso ocorreu por causa do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e das remessas típicas de fim de ano. Sem essa pressão e com menos ruídos políticos, há espaço para recuperação”, avalia.
Weigt destaca ainda que o Brasil segue atrativo para investidores estrangeiros. “A moeda brasileira continua interessante para carry trade, dado o diferencial elevado entre juros domésticos e internacionais”, afirma.
No campo da política monetária, a avaliação predominante é que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve iniciar um ciclo de cortes da Selic apenas em março. Nos Estados Unidos, não está descartada a possibilidade de novos cortes pelo Federal Reserve no primeiro trimestre, embora o cenário mais provável seja de manutenção da taxa básica na reunião de janeiro.
Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o fluxo cambial total em dezembro, até o dia 26, foi negativo em US$ 8,410 bilhões. O resultado foi puxado por saídas líquidas de US$ 15,047 bilhões pelo canal financeiro, que inclui remessas de lucros e dividendos. Em dezembro de 2024, esse volume havia superado US$ 24 bilhões.
No acumulado de 2025, até 26 de dezembro, o fluxo cambial total registra saída líquida de US$ 28,164 bilhões, com entrada de US$ 48,367 bilhões pelo comércio exterior e saídas de US$ 76,532 bilhões pelo canal financeiro.
Para o economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, o saldo mostra deterioração em relação ao ano anterior. “Em igual período de 2024, o fluxo financeiro negativo era de US$ 14,7 bilhões, enquanto o comércio exterior tinha entrada líquida de US$ 68,2 bilhões, cerca de US$ 20 bilhões a mais do que neste ano”, afirma.
Segundo ele, a piora decorre principalmente do comércio exterior. “As exportações recuaram de US$ 297 bilhões para US$ 284,4 bilhões, enquanto as importações cresceram de US$ 228,9 bilhões para US$ 236 bilhões”, conclui.