Antonio Perez | 02 de janeiro de 2026 - 19h30

Dólar cai mais de 1% e fecha no menor nível desde meados de dezembro

Real lidera ganhos entre moedas emergentes no primeiro pregão de 2026

ECONOMIA
Dólar inicia 2026 em queda e fecha no menor nível desde meados de dezembro, impulsionado pelo carry trade e menor pressão externa. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar iniciou 2026 em forte queda frente ao real, em um movimento marcado por ajustes técnicos e realização de lucros após a valorização acumulada no fim do ano passado. No primeiro pregão do ano, nesta sexta-feira (2), a moeda americana recuou 1,16%, encerrando o dia cotada a R$ 5,4256, menor valor de fechamento desde 15 de dezembro.

Ao longo da sessão, o dólar à vista chegou a tocar a mínima de R$ 5,4166. Nos dois últimos pregões, a divisa já acumula queda de 2,57% em relação ao real. Em 2025, o dólar terminou com recuo de 11,18%, a maior desvalorização anual desde 2016.

A leitura do mercado é de que o real começa o ano tentando se recuperar das perdas recentes, beneficiado pelo fim da pressão sazonal das remessas de recursos ao exterior e pela atratividade das operações de carry trade, impulsionadas pelo amplo diferencial de juros entre o Brasil e o exterior.

O desempenho da moeda brasileira foi o melhor entre divisas emergentes e de países exportadores de commodities mais líquidas. Peso mexicano e rand sul-africano avançaram cerca de 0,5% frente ao dólar. Já o índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de seis divisas fortes, subia aproximadamente 0,15% no fim da tarde, aos 98,46 pontos, indicando que a queda do dólar foi um movimento local.

Segundo Marcos Weigt, diretor da Tesouraria do Travelex Bank, o real havia perdido cerca de 6% em dezembro frente ao peso mexicano e ao peso chileno. “Isso ocorreu por causa do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e das remessas típicas de fim de ano. Sem essa pressão e com menos ruídos políticos, há espaço para recuperação”, avalia.

Weigt destaca ainda que o Brasil segue atrativo para investidores estrangeiros. “A moeda brasileira continua interessante para carry trade, dado o diferencial elevado entre juros domésticos e internacionais”, afirma.

No campo da política monetária, a avaliação predominante é que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve iniciar um ciclo de cortes da Selic apenas em março. Nos Estados Unidos, não está descartada a possibilidade de novos cortes pelo Federal Reserve no primeiro trimestre, embora o cenário mais provável seja de manutenção da taxa básica na reunião de janeiro.

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o fluxo cambial total em dezembro, até o dia 26, foi negativo em US$ 8,410 bilhões. O resultado foi puxado por saídas líquidas de US$ 15,047 bilhões pelo canal financeiro, que inclui remessas de lucros e dividendos. Em dezembro de 2024, esse volume havia superado US$ 24 bilhões.

No acumulado de 2025, até 26 de dezembro, o fluxo cambial total registra saída líquida de US$ 28,164 bilhões, com entrada de US$ 48,367 bilhões pelo comércio exterior e saídas de US$ 76,532 bilhões pelo canal financeiro.

Para o economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, o saldo mostra deterioração em relação ao ano anterior. “Em igual período de 2024, o fluxo financeiro negativo era de US$ 14,7 bilhões, enquanto o comércio exterior tinha entrada líquida de US$ 68,2 bilhões, cerca de US$ 20 bilhões a mais do que neste ano”, afirma.

Segundo ele, a piora decorre principalmente do comércio exterior. “As exportações recuaram de US$ 297 bilhões para US$ 284,4 bilhões, enquanto as importações cresceram de US$ 228,9 bilhões para US$ 236 bilhões”, conclui.