Pai de vítima da Boate Kiss morre afogado em Maricá durante alerta de ressaca
Luiz Pedro Fortes, de 70 anos, foi resgatado pelos bombeiros, mas não resistiu; litoral do RJ registrou mais de mil salvamentos no Réveillon
TRAGÉDIALuiz Pedro Fortes dos Santos, de 70 anos, pai de uma das vítimas do incêndio da Boate Kiss, morreu afogado nesta quinta-feira (1º) na praia de Itaipuaçu, em Maricá, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ele chegou a ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros e levado em estado grave ao Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, mas não resistiu.
A morte ocorreu em meio a um cenário de forte ressaca no litoral fluminense. Na quarta-feira (31), a Defesa Civil do Rio de Janeiro emitiu um alerta para todo o estado, recomendando que a população evitasse entrar no mar. O aviso foi enviado diretamente aos celulares. A Marinha do Brasil também alertou para ondas que poderiam chegar a até 2,5 metros de altura.
Luiz Pedro passava o primeiro dia do ano na praia quando se afogou. Ele era pai de Merylin Camargo dos Santos, que morreu aos 18 anos no incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, tragédia que vitimou 242 pessoas e marcou o país.
Em nota publicada nas redes sociais, o coletivo Kiss: que não se repita, que reúne familiares das vítimas, lamentou a morte. “Com profundo pesar e tristeza, manifestamos que o reencontro com a Mery seja repleto de amor e paz”, escreveu a associação.
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), também se manifestou. “A história do Luiz carrega uma dor que o Brasil inteiro conheceu. Uma família que já havia sido atravessada por uma tragédia profunda e que agora enfrenta mais uma perda irreparável”, publicou. Um dia antes do afogamento, o próprio prefeito havia reforçado o alerta para que banhistas não entrassem no mar durante o Réveillon, diante das condições perigosas.
Mais de mil resgates no Réveillon - A ressaca provocou uma situação crítica nas praias do Rio de Janeiro durante a virada do ano. Segundo o Corpo de Bombeiros, foram realizados 1.167 resgates de banhistas no mar da zona sul da capital entre 6h do dia 31 de dezembro e 19h do dia 1º de janeiro.
O levantamento considera o trecho entre as praias do Leme e de São Conrado, com a maioria das ocorrências registrada em Copacabana, que recebeu milhões de pessoas para a festa de Réveillon. Apenas no período da virada, entre 6h de quarta-feira (31) e 6h de quinta-feira (1º), foram contabilizados 547 salvamentos. Das 6h às 19h de quinta, ocorreram outros 620.
O número representa um aumento de 1.786% em relação ao Réveillon anterior, quando foram registrados apenas 29 resgates no mesmo intervalo de tempo.
Em outras regiões do estado, houve ainda 277 salvamentos. A praia de Mambucaba, na Costa Verde, liderou as ocorrências, com 157 resgates. Na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital, foram 18 casos, enquanto Itaipu, em Niterói, registrou 16.
Adolescente segue desaparecido - Um adolescente de 14 anos que desapareceu no mar na altura do Posto 2 de Copacabana, na manhã de quarta-feira (31), seguia desaparecido até esta sexta-feira (2). O Corpo de Bombeiros informou que mantém buscas contínuas, com uso de drones, aeronaves, motos aquáticas, embarcações infláveis e equipes de mergulho.
“O Corpo de Bombeiros mantém o reforço operacional mobilizado e permanece atuando até a localização da vítima”, informou a corporação em nota.
As autoridades reforçam o alerta para que a população respeite as sinalizações e evite o mar em períodos de ressaca, diante do alto risco de afogamentos.