Lavínia Kaucz | 02 de janeiro de 2026 - 15h15

Moraes marca audiência de custódia de Filipe Martins após nova prisão no Paraná

Ex-assessor de Jair Bolsonaro foi detido em Ponta Grossa após suspeita de descumprimento de medidas cautelares

JUSTIÇA
Filipe Martins teve audiência de custódia marcada pelo STF após nova prisão determinada por Alexandre de Moraes. - (Foto: MRE)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para as 17h desta sexta-feira, dia 2, a audiência de custódia de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Martins foi preso nesta sexta em Ponta Grossa, no Paraná, cidade onde já cumpria prisão domiciliar por decisão judicial.

A nova prisão ocorre no contexto da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Em 29 de dezembro, Moraes determinou que a defesa de Martins prestasse esclarecimentos, no prazo de 24 horas, sobre uma possível violação das medidas cautelares impostas no processo.

Segundo o ministro, houve indícios de que Filipe Martins teria acessado sua conta no LinkedIn no mesmo dia da decisão judicial, com o objetivo de buscar perfis de terceiros. A conduta, de acordo com Moraes, caracterizaria descumprimento da ordem que proíbe o uso de redes sociais durante o cumprimento das medidas restritivas.

Em resposta ao Supremo, a defesa de Martins negou que o ex-assessor tenha utilizado a rede social ou realizado qualquer tipo de publicação. Os advogados sustentaram que o perfil no LinkedIn permanece ativo sob controle da equipe jurídica, com a finalidade de preservar provas, organizar informações consideradas relevantes para o processo e realizar a auditoria de históricos digitais relacionados ao caso.

A justificativa apresentada, no entanto, não foi suficiente para afastar a suspeita de descumprimento das determinações judiciais. Diante disso, Moraes autorizou a prisão e marcou a audiência de custódia, procedimento no qual serão analisadas as circunstâncias da detenção e a manutenção ou não da medida.

Filipe Martins foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em 16 de dezembro a 21 anos e 6 meses de prisão. A sentença inclui cinco crimes relacionados à articulação de atos que, segundo a Corte, integraram a tentativa de golpe de Estado ocorrida entre os anos de 2022 e 2023. Mesmo após a condenação, o ex-assessor cumpria medidas alternativas, entre elas a prisão domiciliar e restrições de contato e uso de plataformas digitais.

A audiência desta sexta-feira deve esclarecer se houve, de fato, violação das cautelares e qual será a situação processual de Martins a partir de agora. O caso segue sob relatoria de Alexandre de Moraes no STF.