Denise Luna | 02 de janeiro de 2026 - 13h35

ICMS mais alto faz combustíveis iniciarem 2026 com aumento nos preços

Alta do imposto estadual eleva gasolina, diesel e gás de cozinha logo no início do ano; etanol segue como principal foco de pressão

COMBUSTÍVEIS
Reajuste do ICMS impacta os preços dos combustíveis logo no início de 2026 e já aparece nas bombas. - (Foto: Reprodução)

Os preços dos combustíveis começaram 2026 em trajetória de alta no Brasil, impulsionados pela entrada em vigor das novas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Apenas o impacto do reajuste tributário adiciona R$ 0,10 ao litro da gasolina neste mês, com a alíquota passando de R$ 1,47 para R$ 1,57. O aumento ocorre após um ano marcado por relativa estabilidade nos preços, com exceção do etanol, que encerrou 2025 como o combustível que mais subiu.

A mudança no ICMS também afeta o diesel e o biodiesel. A alíquota subiu de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro, acréscimo de R$ 0,05, o que representa aumento de 4,4%. No caso do gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, a elevação foi de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo, reajuste de 5,7%. Na prática, isso significa um aumento de R$ 1,05 no botijão de 13 quilos, segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes.

Dados da Petrobras mostram o peso do imposto estadual na composição dos preços. O ICMS responde por cerca de 23,7% do valor final da gasolina, 18,4% do diesel e 16,4% do GLP. Esse percentual ajuda a explicar por que mudanças na tributação têm impacto quase imediato nas bombas.

Apesar da elevação no início de 2026, 2025 foi um ano de variações moderadas para a maior parte dos combustíveis. Levantamento da ValeCard, empresa especializada em meios de pagamento e soluções de mobilidade, aponta que o etanol acumulou alta de 4,92% no ano passado, alcançando preço médio de R$ 4,56 por litro. A gasolina teve aumento bem menor, de 0,52%, e passou a custar, em média, R$ 6,37. Já o diesel S-10 apresentou leve queda de 0,88%, fechando o ano a R$ 6,30.

O comportamento do etanol chamou atenção ao longo do ano e, principalmente, em dezembro. Segundo a ValeCard, o preço médio do biocombustível subiu em 22 estados no último mês de 2025. O levantamento considera transações realizadas entre 1º e 28 de dezembro em mais de 25 mil postos credenciados em todo o país.

De acordo com o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga, os dados do último mês do ano indicam um mercado com oscilações pontuais. “Os dados de dezembro mostram um mercado de combustíveis mais estável, com reajustes pontuais e variações contidas na maior parte do País. O etanol foi o combustível que concentrou a maior pressão de alta no mês, enquanto gasolina e diesel apresentaram movimentos mais moderados, refletindo um cenário de menor volatilidade no fechamento do ano”, afirmou.

Braga explica que a elevação do preço do etanol está ligada à dinâmica do setor sucroenergético. Com o encerramento da safra de cana-de-açúcar, o mercado entra no período de entressafra, quando a oferta do biocombustível diminui. Ao mesmo tempo, a demanda tende a crescer, impulsionada pelas férias e pelo aumento das viagens de fim de ano. Essa combinação de fatores acabou pressionando os preços nas bombas, fazendo o etanol subir mais do que os demais combustíveis.

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também mostra variações ao longo de 2025. O preço médio da gasolina passou de R$ 6,14, em dezembro de 2024, para R$ 6,22 na semana de 21 a 27 de dezembro de 2025, alta de 1,3%. Segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes, esse aumento não refletiu integralmente as duas reduções promovidas pela Petrobras ao longo do ano, realizadas em 3 de junho e em 21 de outubro.

No acumulado de 2025, a Petrobras reduziu o preço da gasolina em R$ 0,31 por litro, o equivalente a uma queda de 10,3%. Desde dezembro de 2022, o valor do combustível vendido às distribuidoras caiu R$ 0,36 por litro. O diesel seguiu caminho semelhante. De acordo com a ANP, o preço médio do litro recuou de R$ 6,11, em dezembro de 2024, para R$ 6,08 no mesmo período de 2025, redução de 0,5%.

Com a virada do ano e o reajuste do ICMS, no entanto, o cenário muda novamente. A alta tributária tende a pesar mais no orçamento dos consumidores logo nos primeiros meses de 2026, especialmente em um contexto em que o etanol já vinha apresentando elevação acima da média do setor. O comportamento dos preços ao longo do ano dependerá, entre outros fatores, da política de preços das refinarias, do ritmo da safra de cana-de-açúcar e de possíveis novas alterações na carga tributária.