Como proteger idosos e crianças dos efeitos do calor extremo?
Ondas de calor sobrecarregam o organismo e aumentam o risco de hipertermia nos grupos mais vulneráveis
SAÚDEOndas de calor extremo, como as registradas nos últimos dias, colocam o corpo sob forte estresse, já que o organismo precisa intensificar a transpiração, alterar a circulação sanguínea e depender de reposição constante de líquidos e sais minerais para manter a temperatura interna estável, cenário que se torna mais perigoso quando esses mecanismos não funcionam de forma eficiente.
Quando a perda de líquidos não é compensada, cresce o risco de desidratação e de hipertermia, condição em que o corpo não consegue dissipar o calor acumulado, situação que atinge com mais frequência idosos e crianças, exigindo cuidados específicos durante períodos prolongados de altas temperaturas.
Idosos
No caso dos idosos, o envelhecimento reduz naturalmente a quantidade de água no organismo, além de diminuir a sensação de sede e, em muitos casos, a capacidade de transpirar, combinação que eleva o risco de desidratação e compromete a regulação da pressão arterial e da temperatura corporal em dias quentes.
Esse quadro pode se agravar quando o idoso permanece em ambientes abafados, com pouca ventilação, ou mantém a rotina normal de atividades físicas e exposição ao sol mesmo com os termômetros elevados, muitas vezes sem perceber que já está desidratado.
Um sinal de alerta é a sensação interna de calor intenso, descrita por alguns como estar “cozinhando por dentro”, quadro conhecido como intermação, no qual o corpo aquece, não libera o calor adequadamente e entra em hipertermia, exigindo interrupção imediata da exposição ao calor, resfriamento do ambiente e reforço da hidratação.
Como muitos idosos não sentem vontade de beber água, especialistas recomendam diversificar a oferta de líquidos, com água saborizada, sucos leves, chás frescos e água de coco, além de manter garrafas e copos visíveis e ao alcance, facilitando o consumo ao longo do dia.
A orientação geral é ingerir de 30 a 35 ml de água por quilo de peso corporal diariamente, manter refeições leves, ricas em frutas e legumes, e evitar bebidas alcoólicas, que favorecem ainda mais a desidratação; em casos de uso de medicamentos para coração ou circulação, pode ser necessária avaliação médica para ajustes durante ondas de calor.
Crianças e bebês
Crianças e bebês também estão entre os mais suscetíveis à hipertermia e às queimaduras solares, o que torna essencial evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período de maior incidência de radiação ultravioleta.
Em atividades ao ar livre, como praia ou piscina, a proteção deve ser redobrada, com uso de filtro solar, chapéus e roupas com proteção UV, além de pausas frequentes em locais sombreados e ventilados, mantendo vigilância constante da ingestão de líquidos.
Em bebês, os sinais de desconforto térmico nem sempre são evidentes, e irritabilidade ou choro persistente podem ser os primeiros indícios de calor excessivo, sendo que a desidratação pode se instalar rapidamente nessa faixa etária.
Pais e cuidadores devem observar a frequência urinária, já que ficar mais de seis horas sem urinar pode indicar desidratação, além de sinais como moleira afundada, olhos fundos e boca seca, situações que exigem aumento imediato da oferta de líquidos e, se não houver melhora, avaliação médica.
Na hora de dormir, o uso de ar-condicionado é permitido inclusive para bebês, desde que o aparelho seja ligado antes da criança entrar no quarto, a temperatura mantida em torno de 23 °C e o fluxo de ar não seja direcionado diretamente para o corpo, cuidado que também vale para ventiladores, que devem circular o ar sem incidir diretamente sobre a criança.