Por que café forte e banho gelado não resolvem a ressaca
Especialistas explicam por que truques populares não ajudam a diminuir o impacto do álcool no organismo
SAÚDEMuito além do desconforto após exagerar na bebida, a ressaca ainda é cercada por crenças populares que atravessam gerações, como café forte, banho frio ou remédios milagrosos, práticas comuns que, segundo especialistas, não curam o problema e, em alguns casos, podem até piorar os sintomas.
De acordo com o gastroenterologista Mario Kondo, do Hospital Sírio-Libanês, a ressaca é resultado dos efeitos agudos do álcool no organismo, principalmente da desidratação e da ação tóxica do etanol, que pode levar de seis a oito horas para ser metabolizado, processo que não é acelerado por nenhum truque caseiro.
O hepatologista Marlone Cunha, da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica que muitos mitos surgem da confusão entre embriaguez e ressaca, já que estratégias como café ou banho frio até podem causar sensação momentânea de alerta durante a intoxicação, mas não eliminam o álcool do corpo nem aliviam os sintomas no dia seguinte.
Entre os equívocos mais comuns está a ideia de que a ressaca afeta todos da mesma forma, quando, na prática, fatores como genética, idade, sexo, quantidade ingerida e velocidade do metabolismo influenciam diretamente a intensidade dos sintomas.
Outro erro frequente é acreditar que medicamentos curam a ressaca, já que não existe remédio capaz de reverter a intoxicação alcoólica, sendo que alguns, como anti-inflamatórios, devem ser evitados por irritarem o estômago e sobrecarregarem o fígado, órgão já exigido pelo álcool.
O café, embora popular, não trata a ressaca, podendo apenas dar sensação passageira de alerta, além de causar náuseas em pessoas com irritação gástrica, enquanto o banho frio não possui respaldo científico e não interfere na metabolização do álcool.
Também não procede a ideia de que bebidas mais caras causam menos ressaca, pois o responsável pelos sintomas é o etanol, presente em todas as bebidas alcoólicas, independentemente da marca ou procedência, sendo a quantidade ingerida o principal fator de risco.
A ordem ou mistura das bebidas tampouco altera o impacto no fígado, já que o organismo metaboliza o álcool da mesma forma, embora misturar tipos diferentes costume levar ao consumo excessivo, aumentando as chances de ressaca intensa.
Isotônicos, água com limão ou outras bebidas não eliminam o álcool do corpo, mas ajudam na hidratação, essencial porque o álcool inibe o hormônio antidiurético, fazendo a pessoa urinar mais e perder líquidos e sais minerais.
Beber água entre os drinks não acelera a eliminação do álcool, mas reduz a quantidade ingerida e ajuda a manter o corpo hidratado, o que pode amenizar os sintomas no dia seguinte.
Por fim, exercícios físicos não fazem o álcool ser eliminado pelo suor e podem piorar a ressaca, aumentando a desidratação e elevando riscos como tontura, queda, alterações da pressão e arritmias, sendo recomendados apenas fora do contexto do consumo de álcool.