STF promove evento para marcar três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro
Programação em Brasília inclui exposição, documentário e debates sobre ataques às instituições e a democracia
POLÍTICASupremo Tribunal Federal realiza, no próximo dia 8 de janeiro, em Brasília, um evento institucional para marcar os três anos dos atos golpistas que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, episódio protagonizado por apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro que pediam a intervenção militar e a ruptura da ordem democrática.
A iniciativa, organizada pela própria Corte, recebe o nome de “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer” e reúne uma série de atividades voltadas à preservação da memória institucional e ao debate público sobre o ataque às instituições ocorrido em 2023, considerado um dos episódios mais graves da história recente do país.
A programação começa no início da tarde com a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, que será exibida no Espaço do Servidor, dentro do prédio do STF, reunindo registros e materiais relacionados ao processo de recuperação das áreas atingidas pela depredação.
Na sequência, o Museu do Supremo Tribunal Federal recebe a exibição do documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução”, produção que aborda os desdobramentos dos atos golpistas e o trabalho realizado após os ataques, com foco na reconstrução simbólica e física das instituições.
O evento segue com uma roda de conversa entre jornalistas, dedicada à cobertura do 8 de janeiro e ao papel da imprensa diante de ameaças à democracia, também no espaço do museu, encerrando a programação com a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”, prevista para o Salão Nobre do STF.
Ao comentar os dois anos dos atos golpistas, lembrados em 2025, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que o ataque às sedes dos Poderes representou a face mais visível de um movimento articulado nos bastidores com o objetivo de promover um golpe de Estado.
Segundo Fachin, recordar a data com a gravidade necessária é parte de um esforço institucional para avançar sem apagar os registros históricos do episódio. “Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio merece, constitui, também, um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história”, afirmou o ministro durante cerimônia realizada à época.
Relembre
O movimento que culminou nos ataques de 8 de janeiro teve início após a divulgação do resultado das eleições presidenciais de 30 de outubro de 2022, que confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. A partir desse momento, grupos passaram a defender publicamente um golpe militar para impedir a posse do presidente eleito.
Esse processo incluiu bloqueios de rodovias em diferentes regiões do país e a montagem de acampamentos em frente a quartéis do Exército, além de episódios de violência registrados em Brasília, como a tentativa de explosão de uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional, na véspera do Natal, e a invasão de uma delegacia da Polícia Federal após a queima de ônibus no dia da diplomação de Lula.