Redação O Estado de S. Paulo | 01 de janeiro de 2026 - 13h30

Isenção do IR e novo salário mínimo: entenda as regras que passam a valer hoje

Mudanças em vigor atingem salários, descontos em folha e imposto pago por trabalhadores e pessoas com salários acima de R$ 50 mil

ECONOMIA
Novo salário mínimo e mudanças no Imposto de Renda passam a valer a partir deste 1º de janeiro - (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O início do ano traz mudanças diretas no bolso dos brasileiros. A partir desta quarta-feira, 1º de janeiro, entram em vigor o novo valor do salário mínimo e as novas regras de isenção do Imposto de Renda. As medidas, aprovadas e sancionadas ainda em 2024, impactam desde trabalhadores de baixa renda até contribuintes com salários mais elevados.

A principal novidade é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Antes, o limite era de dois salários mínimos, equivalente a R$ 3.036. Com a mudança, cerca de 15 milhões de contribuintes deixam de pagar o imposto, segundo estimativas do governo federal.

Outra alteração relevante é o reajuste do salário mínimo, que passa de R$ 1.518 para R$ 1.621. O aumento de 6,79% considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, acumulado até novembro, e garante ganho real acima da inflação, ainda que limitado pelas regras do novo arcabouço fiscal.

A nova faixa de isenção do IR começa a ser sentida já nos salários pagos a partir do fim de janeiro ou início de fevereiro. O desconto na folha será menor ou inexistente para quem se enquadra no novo teto, o que também influencia a tributação de rendimentos como dividendos.

A estimativa é de que cada beneficiário tenha uma economia média de cerca de R$ 4 mil por ano. Apesar disso, as mudanças não alteram a declaração do Imposto de Renda que será entregue em 2026, referente ao ano-base 2025. O efeito prático na declaração anual só deve aparecer em 2027.

Para equilibrar a arrecadação, o governo aumentou a tributação sobre a alta renda. Contribuintes que recebem acima de R$ 50 mil mensais passam a pagar mais imposto. Segundo dados oficiais, a medida atinge aproximadamente 141 mil pessoas em todo o país.

Novo salário mínimo

O novo salário mínimo de R$ 1.621 representa um aumento de R$ 103 em relação ao valor anterior. O reajuste segue a política que considera a inflação acumulada e garante ganho real, mas respeita os limites de crescimento definidos pelo arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso.

O valor serve de referência para uma série de benefícios e pagamentos, como aposentadorias, pensões e programas sociais, o que amplia o impacto da mudança sobre a economia e o orçamento das famílias.

Descontos progressivos

Outra novidade nas regras do Imposto de Renda é a criação de descontos progressivos para quem ganha até R$ 7.350 por mês. O objetivo é evitar o chamado degrau tributário, situação em que um pequeno aumento salarial faz o trabalhador passar a pagar um imposto muito maior.

Nesse modelo, o abatimento no imposto diminui de forma gradual conforme a renda aumenta. Como o cálculo leva em conta deduções individuais e outras fontes de rendimento, não existe uma tabela fixa para esse grupo. O valor do desconto é definido caso a caso.