Redação | 01 de janeiro de 2026 - 07h30

Anvisa libera Wegovy para tratar doença grave no fígado além da obesidade

Medicamento mostrou reversão da inflamação hepática e melhora da fibrose em estudo internacional

SAÚDE
Anvisa pede inclusão de alerta sobre efeito adverso raro ligado à visão na bula de medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy. - (Foto: K KStock/Adobe Stock)

O uso do medicamento Wegovy (semaglutida 2,4 mg) foi ampliado no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a indicação do fármaco para o tratamento da esteato-hepatite associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla MASH, uma condição hepática considerada grave e de evolução silenciosa.

A MASH ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura no fígado, acompanhado de inflamação persistente. O quadro está diretamente ligado a alterações metabólicas como obesidade, resistência à insulina e diabetes, fatores que sobrecarregam o órgão ao longo do tempo. Sem controle, o processo inflamatório pode evoluir para fibrose — formação de cicatrizes no fígado — e aumentar o risco de cirrose, falência hepática e morte precoce.

A decisão da Anvisa se baseia nos resultados do estudo ESSENCE, publicado no New England Journal of Medicine. De acordo com os dados, 63% dos pacientes tratados com semaglutida apresentaram reversão da inflamação hepática. No grupo que recebeu placebo, esse índice foi de 34,3%.

Os resultados também indicaram impacto positivo na progressão da doença. Entre os pacientes que utilizaram o Wegovy, 37% tiveram melhora no grau de fibrose do fígado. O dado mais relevante do estudo mostra que cerca de um terço dos participantes alcançou simultaneamente dois objetivos clínicos importantes: redução da inflamação e melhora da fibrose hepática.

Até então, o tratamento da MASH se concentrava quase exclusivamente na mudança de hábitos, como dieta equilibrada e prática de atividade física. A ausência de medicamentos específicos tornava difícil conter a progressão da doença, especialmente em pacientes com maior comprometimento metabólico.

A aprovação reforça uma tendência já observada pela comunidade científica. Medicamentos análogos de GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e o próprio Wegovy, vêm demonstrando potencial terapêutico que vai além do controle do diabetes e da obesidade, abrindo novas possibilidades no tratamento de doenças metabólicas complexas.