Roberta Jansen | 31 de dezembro de 2025 - 19h15

Ressaca provoca resgates em Copacabana e deixa um desaparecido no réveillon

Mais de cem pessoas foram retiradas do mar nesta quarta-feira; Defesa Civil e Marinha reforçam alerta para não entrar na água

MAR DE COPACABANA
Ressaca no Rio provoca mais de cem resgates em Copacabana e deixa um adolescente desaparecido na véspera do réveillon. - (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Uma pessoa está desaparecida e mais de cem foram resgatadas do mar nesta quarta-feira, 31, nas praias da zona sul do Rio de Janeiro, em especial em Copacabana, onde ocorre a principal festa de réveillon da cidade. O aumento dos casos de afogamento coincide com a ressaca que atingiu o litoral fluminense e levou a Secretaria de Estado de Defesa Civil a emitir alerta para toda a costa do estado.

O aviso foi disparado no início da tarde pelo Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) diretamente para celulares, com orientação expressa para que ninguém entre no mar. A Marinha também emitiu alerta de ressaca, com previsão de ondas de até 2,5 metros até a manhã desta quinta-feira, 1º.

No fim da manhã, equipes do Corpo de Bombeiros realizavam buscas por uma pessoa desaparecida no mar, na altura do Posto 2, em Copacabana. Segundo informações divulgadas pela TV Globo, trata-se de um adolescente de 14 anos, de Campinas (SP), que passava o fim de ano na capital fluminense.

Enquanto as buscas prosseguiam, os bombeiros atenderam uma sequência de ocorrências de afogamento. Até as 15h50, mais de cem pessoas haviam sido resgatadas apenas em Copacabana, muitas delas arrastadas por correntes de retorno.

À tarde, um homem que se afogava na praia de Ipanema foi resgatado com apoio de um helicóptero do Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto em estado grave.

A força do mar chegou a preocupar também a organização do evento. Ondas se aproximaram de um dos palcos montados para os shows do réveillon em Copacabana, exigindo atenção redobrada das equipes de segurança.

Desde as primeiras horas do dia, as praias da capital estavam lotadas por moradores e turistas. Diante do cenário, o Corpo de Bombeiros reforçou os avisos para que as pessoas evitem o banho de mar durante a virada do ano.

O tenente-coronel Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), explicou que drones da corporação estão sendo utilizados para orientar o público com avisos sonoros, principalmente em Copacabana.

“O mar não vai estar indicado para mergulho. Temos ondas de até 2,5 metros, um mar com muita energia, um mar também com muitas valas e correntes de retorno”, alertou. “As pessoas vão querer se banhar, vai estar calor, mas a corporação não negocia a segurança: não mergulhem no mar. O risco é real.”

Além da ressaca, há preocupação com a possibilidade de tempestade durante a noite do réveillon. O doutor em gerenciamento de riscos e segurança Gerardo Portela, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Coppe/UFRJ, disse que as condições do mar são totalmente desfavoráveis.

“Sou carioca, pratico surfe, estou sempre na orla. Posso dizer que as condições do mar estão totalmente desfavoráveis”, afirmou. Segundo ele, nos dias anteriores à ressaca ajudou pessoalmente a retirar pessoas da água devido à força da correnteza.

Portela também chamou atenção para o risco de descargas elétricas durante possíveis tempestades. “Em um local aberto como a praia, basta cair um raio para centenas de pessoas serem impactadas. Os para-raios dos prédios protegem as edificações, não a areia. A praia é o local de maior probabilidade de uma pessoa ser atingida”, explicou.

O especialista ressaltou que existem sistemas de proteção contra descargas atmosféricas para áreas abertas, como praias, mas que o custo é elevado. Segundo ele, eventos desse porte exigem protocolos claros de emergência.

“Se as autoridades acham que a orla é um local apropriado para celebrações, é preciso ter um protocolo para direcionar as pessoas a locais seguros”, disse. Uma alternativa paliativa, segundo Portela, seria orientar o deslocamento para ruas com prédios altos, onde a proteção oferecida pelos para-raios seria maior.

As autoridades seguem monitorando o mar e o clima, enquanto os bombeiros mantêm as buscas pelo adolescente desaparecido.