Petro critica restrição dos EUA ao espaço aéreo da Venezuela e pede sanções a companhias aéreas
Presidente colombiano diz que medida fere a soberania e pede reação da América Latina e da União Europeia
INTERNACIONALO presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez duras críticas ao fechamento do espaço aéreo da Venezuela imposto pelos Estados Unidos. Em uma série de publicações neste domingo (30) na rede X (antigo Twitter), o chefe de Estado classificou a medida como "totalmente ilegal" e pediu que companhias aéreas que acatarem a ordem sejam multadas por órgãos internacionais.
“Digo ao mundo que um presidente estrangeiro não pode fechar o espaço aéreo nacional, ou o conceito de soberania nacional e o conceito de direito internacional deixarão de existir”, afirmou Petro, que também ocupa a presidência temporária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Segundo o colombiano, a decisão não conta com respaldo do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), tampouco do Senado dos Estados Unidos, o que, na visão dele, fere a ordem internacional. “A América Latina e o Caribe devem afirmar isso sem medo”, disse.
Petro ainda defendeu que nenhuma companhia aérea deve seguir ordens “ilegais” que afetem o tráfego aéreo de países soberanos. Ele instou a União Europeia a normalizar os voos para a Venezuela ou aplicar sanções às empresas que descumprirem os acordos entre blocos europeus, latino-americanos e caribenhos.
O presidente também ameaçou punir empresas colombianas que se negarem a prestar serviços já contratados com base em instruções externas, contrariando normas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) ou decisões do próprio governo colombiano.
Petro criticou diretamente a OACI, alegando que a entidade está "falhando" ao permitir o fechamento do espaço aéreo venezuelano. Para ele, a liberdade de voar deve ser respeitada globalmente. “A humanidade deve ter a liberdade de voar e os céus devem estar abertos em todo o mundo”, concluiu.
A medida dos Estados Unidos ainda não foi comentada oficialmente pelo governo venezuelano, mas ocorre em meio a tensões diplomáticas envolvendo sanções econômicas e denúncias de violações de direitos humanos na Venezuela.