Elisa Calmon | 30 de novembro de 2025 - 15h30

Petro critica restrição dos EUA ao espaço aéreo da Venezuela e pede sanções a companhias aéreas

Presidente colombiano diz que medida fere a soberania e pede reação da América Latina e da União Europeia

INTERNACIONAL
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, critica fechamento do espaço aéreo venezuelano por ordem dos EUA - Foto: Reprodução

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez duras críticas ao fechamento do espaço aéreo da Venezuela imposto pelos Estados Unidos. Em uma série de publicações neste domingo (30) na rede X (antigo Twitter), o chefe de Estado classificou a medida como "totalmente ilegal" e pediu que companhias aéreas que acatarem a ordem sejam multadas por órgãos internacionais.

“Digo ao mundo que um presidente estrangeiro não pode fechar o espaço aéreo nacional, ou o conceito de soberania nacional e o conceito de direito internacional deixarão de existir”, afirmou Petro, que também ocupa a presidência temporária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Segundo o colombiano, a decisão não conta com respaldo do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), tampouco do Senado dos Estados Unidos, o que, na visão dele, fere a ordem internacional. “A América Latina e o Caribe devem afirmar isso sem medo”, disse.

Petro ainda defendeu que nenhuma companhia aérea deve seguir ordens “ilegais” que afetem o tráfego aéreo de países soberanos. Ele instou a União Europeia a normalizar os voos para a Venezuela ou aplicar sanções às empresas que descumprirem os acordos entre blocos europeus, latino-americanos e caribenhos.

O presidente também ameaçou punir empresas colombianas que se negarem a prestar serviços já contratados com base em instruções externas, contrariando normas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) ou decisões do próprio governo colombiano.

Petro criticou diretamente a OACI, alegando que a entidade está "falhando" ao permitir o fechamento do espaço aéreo venezuelano. Para ele, a liberdade de voar deve ser respeitada globalmente. “A humanidade deve ter a liberdade de voar e os céus devem estar abertos em todo o mundo”, concluiu.

A medida dos Estados Unidos ainda não foi comentada oficialmente pelo governo venezuelano, mas ocorre em meio a tensões diplomáticas envolvendo sanções econômicas e denúncias de violações de direitos humanos na Venezuela.