Fintechs estão proibidas de usar o termo 'banco' sem autorização do BC
Nova regra do Conselho Monetário Nacional atinge nomes, marcas e sites de instituições não bancárias
ECONOMIAEmpresas que oferecem serviços financeiros, mas não têm autorização para funcionar como banco, estão proibidas de usar termos como “banco” ou “bank” em seus nomes, marcas e endereços na internet. A decisão foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central.
A medida, que entra em vigor imediatamente, atinge especialmente as fintechs e empresas de tecnologia que atuam como instituições de pagamento ou sociedades de crédito, mas não possuem licença bancária. Segundo o Banco Central, o objetivo é evitar que os consumidores confundam a natureza da instituição ou dos serviços prestados.
“Será vedado às instituições utilizar termos que sugiram atividade ou modalidade de instituição para a qual não tenham autorização de funcionamento”, informou o BC, por meio de nota oficial.
A restrição consta na Resolução Conjunta 17/2025 e vale para qualquer forma de apresentação pública: nome empresarial, nome fantasia, marca, domínio de site ou até postagens e anúncios publicitários. Apenas conglomerados que tenham pelo menos um banco autorizado poderão manter o uso dos termos em sua comunicação, desde que façam parte formal do mesmo grupo.
Segundo o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, a medida busca reforçar a segurança do sistema financeiro e proteger o consumidor. “Temos observado novos modelos de negócio em que o nome utilizado não corresponde ao serviço autorizado. Isso pode gerar confusão ao cliente e risco ao sistema”, afirmou.
As empresas afetadas terão até 120 dias para apresentar um plano de adequação ao Banco Central, com prazos e ações para regularizar seus nomes. O prazo final para que todas as alterações sejam implementadas é de 12 meses.
A autoridade monetária estima que de 15 a 20 instituições deverão ser impactadas pela nova regra. Um dos exemplos mais notórios é o Nubank, que atua como instituição de pagamento, sociedade de crédito e corretora, mas não tem licença formal como banco. Em nota, a empresa informou que está analisando a nova regulação e que seus serviços continuam operando normalmente.
O Banco Central afirma que a nova norma acompanha o crescimento das fintechs no Brasil e responde à necessidade de atualizar a legislação diante de novos modelos de negócio. “A padronização da nomenclatura reduz os riscos de interpretação equivocada por parte dos usuários e fortalece a clareza sobre o que cada instituição pode ou não oferecer”, destacou o BC.
A regulamentação foi definida após consulta pública realizada entre fevereiro e maio deste ano. A decisão é considerada um passo importante no processo de supervisão do sistema financeiro nacional, cada vez mais digital e dinâmico.