Ibovespa fecha novembro com novo recorde e se aproxima dos 160 mil pontos
Índice sobe 6,37% no mês e acumula alta de 32% em 2025; investidores avaliam se fôlego vai continuar
ECONOMIAA bolsa brasileira terminou novembro em alta e com novo recorde histórico. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou esta sexta-feira (28) aos 159.072 pontos, com avanço de 0,45% no dia e acumulando alta de 6,37% no mês — o melhor desempenho mensal desde agosto de 2024.
Durante a sessão, o Ibovespa chegou a tocar os 159.689 pontos, ficando muito próximo da marca simbólica de 160 mil. Apesar de não ter fechado nesse patamar, o movimento confirma a sequência de valorização iniciada ainda no fim de outubro, quando o índice estava abaixo dos 147 mil pontos.
Com o resultado de novembro, o Ibovespa soma agora uma valorização de 32,25% em 2025, puxada principalmente pelo bom desempenho de bancos e ações ligadas a commodities, como a Vale. A expectativa de corte de juros no Brasil e no exterior também tem favorecido o apetite por ativos de risco.
Além da força do mercado interno, o desempenho do Ibovespa em dólares também melhorou. Com o câmbio recuando quase 1% no mês, o índice em dólar alcançou 29.817 pontos, se aproximando da casa dos 30 mil. É um nível acima do registrado antes da pandemia, mas ainda longe do recorde histórico de 2008, quando chegou a quase 45 mil pontos em dólar, impulsionado pela moeda americana cotada a cerca de R$ 2,20 na época.
Apesar do clima positivo, cresce entre os analistas o sinal de alerta. Pesquisa do Termômetro Broadcast mostrou que 55% dos especialistas consultados esperam queda do Ibovespa na próxima semana. Só 22% apostam em alta, e outros 22% preveem estabilidade.
Para Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, a marca dos 159 mil pontos é impressionante, principalmente porque foi alcançada mesmo com a alta dos juros futuros na sessão. "O índice foi sustentado pelas ações dos grandes bancos e pelo setor de commodities, exceto a Petrobras", destaca.
Apesar dos recordes, a Petrobras foi destaque negativo do dia. As ações da estatal caíram após a divulgação do novo Plano de Negócios 2026-2030, que trouxe cortes nos investimentos previstos. Os papéis ON recuaram 2,45% e os PN, 1,88%. O mercado reagiu com preocupação à possibilidade de dividendos menores.
Gabriel Mota de Souza, da Manchester Investimentos, explica que, embora o plano tenha vindo dentro das expectativas em linhas gerais, houve frustração com os cortes concentrados apenas no longo prazo. “O mercado esperava reduções também no curto prazo, como em 2026, e isso não aconteceu. Além disso, o preço do petróleo está em queda”, analisa.
Por outro lado, ações de bancos como Itaú (alta de 2,28%) e Vale (1,61%) ajudaram a segurar o índice no positivo.
Entre os destaques de alta na sessão estão Natura (+4,54%), MRV (+3,33%) e Yduqs (+2,79%). Do lado negativo, as maiores quedas foram de Assaí (-6,06%), Hapvida (-6,00%) e C&A (-5,03%).
O volume financeiro da sessão foi de R$ 25,2 bilhões, em um pregão que contou com a retomada parcial dos mercados americanos, que não operaram na véspera por conta do feriado de Ação de Graças.