Luís Eduardo Leal | 29 de agosto de 2025 - 18h15

Ibovespa alcança novo recorde histórico de fechamento com alta de 0,26%

Índice da B3 se destaca em agosto e acumula ganho de 6,28%, impulsionado por fatores internacionais e resultados de empresas

IBOVESPA
Ibovespa alcança novo recorde histórico de fechamento com alta de 0,26%. - (Foto: Envato Elements)

O Ibovespa renovou seu recorde histórico de fechamento nesta sexta-feira, 29, após atingir a marca de 142.378,69 pontos durante a manhã, com um ganho de quase 1%. O movimento de alta no índice da B3 foi suficiente para garantir um fechamento positivo de 0,26%, aos 141.422,26 pontos, superando a marca de 4 de julho e se estabelecendo no maior nível já registrado. O volume financeiro do pregão foi de R$ 23,2 bilhões.

No acumulado da semana, o índice registrou alta de 2,50%, sua quarta semana consecutiva de valorização. Em agosto, o Ibovespa avançou 6,28%, o melhor desempenho desde agosto do ano passado. No ano, o índice acumula uma alta expressiva de 17,57%, consolidando o movimento positivo que também marcou o terceiro ganho diário consecutivo nesta sexta-feira.

Em termos de dólar, o Ibovespa fechou junho a 25.552,45 pontos, recuando para 23.759,29 pontos em julho devido à valorização da moeda americana. Em agosto, no entanto, o índice reverteu o cenário e avançou para 141.422,26 pontos, com uma alta significativa no mês e um retorno ao patamar histórico de 140 mil pontos.

O desempenho positivo do Ibovespa foi impulsionado por notícias favoráveis do exterior, especialmente com a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), indicador da inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos. A estabilidade do PCE dentro das expectativas sustentou as apostas do mercado em um possível corte de juros pela autoridade monetária americana já em setembro.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, destaca que o setor de consumo foi um dos principais beneficiados nesta sexta-feira, embora com variações de performance entre as ações. No entanto, papéis de empresas do setor de metais, como CSN (-1,55%), Usiminas (-1,35%) e Gerdau (-0,77%), enfrentaram um dia mais negativo. O índice de materiais básicos (IMAT) fechou em queda de 0,18%.

Entre as ações que se destacaram positivamente no Ibovespa, Raízen (+7,34%) foi a maior alta, reagindo ao anúncio de venda de duas usinas por R$ 1,54 bilhão. Marfrig (+5,37%) e Magazine Luiza (+4,46%) também figuraram entre os maiores ganhos. Por outro lado, as ações de RD Saúde (-6,90%), Porto Seguro (-1,99%) e Prio (-1,84%) apresentaram quedas significativas.

Entre as blue chips, Petrobras ON e PN subiram 0,81% e 0,55%, respectivamente, enquanto Vale ON teve alta de 0,29%. Os maiores bancos também tiveram ganhos no dia, com o Banco do Brasil ON subindo 1,62% e o Santander Unit avançando 0,14%.

De forma geral, o Ibovespa mostrou uma forte recuperação ao longo de agosto, com o impulso vindo tanto de fatores externos quanto dos resultados internos de empresas. Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, projeta que o índice possa alcançar a faixa de 150 mil pontos em um cenário de continuidade dessa tendência de alta.

Além disso, Lucas Carvalho, head de Research da Toro Investimentos, observa que o Ibovespa superou uma resistência importante na região dos 141.300 pontos, o que reforça o viés positivo no curto prazo.

Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, destaca que o Ibovespa tem se destacado globalmente, mesmo em meio a incertezas políticas no Brasil, como a aplicação da Lei de Reciprocidade nas relações comerciais com os Estados Unidos.