Associated Press* | 29 de agosto de 2025 - 14h35

Tribunal Constitucional destitui Primeira-Ministra Paetongtarn Shinawatra

Líder tailandesa perde o cargo após violação das regras constitucionais em ligação com presidente do Senado do Camboja

CRISE POLÍTICA
Paetongtarn Shinawatra perde o cargo de primeira-ministra da Tailândia após decisão do Tribunal Constitucional sobre ligação com Hun Sen. - Foto: Lillian SUWANRUMPHA / AFP

O Tribunal Constitucional da Tailândia destituiu nesta sexta-feira, 29 de agosto, Paetongtarn Shinawatra de seu cargo como primeira-ministra, alegando que ela violou normas constitucionais de ética durante uma ligação telefônica com o presidente do Senado do Camboja, Hun Sen.

A decisão implica que Paetongtarn perde imediatamente seu posto, que ocupava há cerca de um ano. Desde 1º de julho, ela estava suspensa, após o tribunal concordar em analisar o caso, com o vice-primeiro-ministro Phumtham Wechayachai assumindo suas funções.

Polêmica da Ligação com Hun Sen

A ligação, realizada em 15 de junho, tinha o objetivo de reduzir tensões fronteiriças após um soldado cambojano ter sido morto em maio em território disputado. No entanto, o áudio vazado online pelo próprio Hun Sen gerou indignação interna na Tailândia. Paetongtarn foi acusada de exibir excessiva cordialidade e de difamar um general do exército tailandês, o que configuraria violação das normas constitucionais de ética para um chefe de governo.

O incidente ocorreu em meio a uma escalada de tensão entre os dois países. Entre junho e julho, confrontos ao longo da fronteira resultaram em mais de cinco dias de combates, dezenas de mortos e 260 mil pessoas deslocadas.

Impacto Político Interno

A destituição coloca a coalizão liderada pelo partido Pheu Thai de Paetongtarn em uma posição delicada. O parceiro mais importante da aliança, o Partido Bhumjaithai, retirou seu apoio, deixando a coalizão com uma maioria apertada na Câmara dos Representantes.

A decisão do tribunal marca um momento crítico para a política tailandesa e aumenta a incerteza sobre o futuro do governo e a estabilidade na região fronteiriça com o Camboja.