Lula diz que não acompanhará julgamento de Bolsonaro e critica articulação pela anistia
Presidente rechaça projeto de anistia para ex-presidente e defende cassação de Eduardo Bolsonaro
JULGAMENTO E POLÍTICAO presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 29 de agosto, que não pretende acompanhar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos demais réus no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte (MG), Lula disse: "Tenho coisa melhor para fazer."
O julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a ação penal relacionada ao golpe começará na próxima terça-feira, 2 de setembro, e terá sessões programadas ao longo de duas semanas.
Lula declarou que o que está sendo analisado não é a "figura" de Bolsonaro, mas o seu comportamento como presidente da República, com base nas denúncias, delações e provas coletadas pela Polícia Federal. "São os autos do processo que vão ser julgados. Se ele cometeu o crime, ele vai ser punido. Se ele não cometeu, ele será absolvido e a vida continua", afirmou.
Reprovação à Articulação da Anistia
Em relação à proposta de anistia que poderia beneficiar Bolsonaro, Lula foi enfático em sua crítica. "É uma coisa tão impertinente. Ninguém foi ainda condenado. O homem não foi nem julgado ainda", disse, reprovando a articulação de parlamentares pela aprovação do projeto, que ainda segue sem avanço na Câmara dos Deputados.
O presidente destacou que cabe ao ex-presidente apresentar provas em sua defesa. "Ele que se defenda e prove que é mentira", afirmou Lula, reiterando que o julgamento deve seguir o curso da justiça.
Cassação de Eduardo Bolsonaro
Além disso, o presidente comentou sobre o pedido de Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e deputado federal (PL-SP), para continuar exercendo seu mandato enquanto reside nos Estados Unidos. Lula voltou a defender a cassação do parlamentar, afirmando que Eduardo deve ser lembrado na história como "o maior traidor deste País".
"Ele sai do Brasil e vai para os Estados Unidos ficar mentindo sobre o Brasil. Porque as acusações que o (presidente americano) Donald Trump fez ao Brasil para justificar a taxação são todas inverídicas", declarou Lula, reiterando sua posição de que o comportamento do deputado não é condizente com o cargo que ocupa.