Redação | 29 de agosto de 2025 - 08h28

Racismo contra brasileiros na Argentina revolta polo aquático: 'Árbitro disse para acostumar'

Sesi-SP e ABDA abandonam campeonato após injúria racial de atleta argentino em partida decisiva

ESPORTE
Sesi-SP disputava Superliga Sul-Americana quando caso de racismo aconteceu - (Foto: Sesi-SP)

Na Superliga Sul-Americana de polo aquático, o time do Sesi-SP estava próximo da final quando um incidente interrompeu a disputa. Durante uma partida contra o Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires, o time paulista estava vencendo por seis gols de vantagem quando, após um pênalti, um jogador argentino fez uma ofensa racial contra um atleta do Sesi.

A situação gerou indignação entre os jogadores do time brasileiro, que questionaram a arbitragem sobre o ocorrido. Um dos jogadores foi até o árbitro e explicou que a situação se tratava de racismo. O técnico do Sesi-SP apoiou a manifestação, mas a resposta da arbitragem foi desanimadora. O árbitro afirmou que a equipe deveria "estar acostumada" com esse tipo de situação, o que apenas agravou a frustração do time paulista.

Após a confusão, a partida seguiu até o final, com o Sesi-SP vencendo por 17 a 12. Contudo, o protocolo de cumprimento entre as equipes não foi cumprido, e o time do Sesi-SP decidiu não jogar a final. Em vez disso, formalizou uma denúncia à organização do evento, exigindo uma resposta sobre o comportamento do jogador argentino. O Sesi-SP não recuou de sua decisão, e a ABDA, o outro finalista, acompanhou a desistência.

Após a desistência, a Confederação Sul-Americana de Desportos Aquáticos (Consada) e o clube argentino se manifestaram, condenando a discriminação e afirmando que tomariam as medidas necessárias. O atleta responsável pela ofensa foi suspenso. Embora o Sesi-SP tenha sido retirado da competição, o Fluminense foi declarado campeão, já que a disputa pelo terceiro lugar havia ocorrido sem a participação do time argentino.

O clube paulista registrou o caso no Brasil, e seu departamento jurídico trabalha para assegurar não apenas a ação criminal, mas também medidas esportivas. A denúncia também está sendo acompanhada de perto por órgãos como o Comitê Olímpico do Brasil, que recentemente implementou cursos de combate ao racismo.

A decisão de não jogar a final foi considerada importante para a equipe, que priorizou o respeito aos valores de inclusão e diversidade, tão essenciais para o esporte.

Nota de destaque: O Sesi-SP reforçou que seu compromisso é com o letramento racial nas organizações esportivas, sem abrir mão da luta contra qualquer forma de discriminação. O time também destacou a necessidade de ações mais concretas nas confederações esportivas para garantir a erradicação do racismo no esporte.