Fausto Macedo e Marcelo Godoy | 29 de agosto de 2025 - 08h45

Dois empresários presos em Campinas por envolvimento em plano para matar promotor

Plano de execução do promotor Amauri Silveira Filho foi orquestrado com ajuda de chefe do PCC

GERAL
Empresários são presos por envolvimento em plano do PCC para matar promotor em Campinas - (Foto: Polícia Militar)

Dois empresários foram presos nesta sexta-feira (29), em Campinas (SP), sob a acusação de envolvimento em um plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). As prisões ocorreram durante a Operação Linha Vermelha, com a Polícia Militar e promotores cumprindo mandados de busca e apreensão e pedidos de prisões temporárias.

O plano foi descoberto durante investigações realizadas pelos promotores do Gaeco, que apuravam crimes de organização criminosa armada, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em parceria com a Inteligência Policial, foi identificado que os empresários estavam ligados ao chefe foragido do PCC, Sergio Luís de Freitas, conhecido como Mijão, um dos maiores operadores do tráfico de drogas no Brasil. Mijão, atualmente foragido na Bolívia, teria comandado a operação para assassinar o promotor.

Segundo o Gaeco, os empresários foram responsáveis por financiar e organizar a execução do crime, providenciando veículos, armamento e contratando operadores para realizar a emboscada. O plano, no entanto, foi descoberto antes de ser concretizado, e o Ministério Público pediu a prisão dos envolvidos.

Sergio "Mijão" é um dos líderes da facção PCC e figura importante na Sintonia Final da Rua da organização criminosa. Mijão tem um longo histórico de envolvimento em tráfico internacional de drogas e foi investigado em diversas operações da Polícia Federal, incluindo a Operação Gaiola, que revelou sua ligação com o tráfico de drogas provenientes do Paraguai e Bolívia para o Brasil. Ele é apontado como responsável pelo transporte de drogas e lavagem de dinheiro.

A descoberta do plano para matar o promotor é o segundo caso de tentativa de assassinato envolvendo membros do PCC contra promotores de Justiça em São Paulo. Em 2024, o promotor Lincoln Gakiya também foi alvo de um plano para ser assassinado. Esse novo caso evidencia o crescente risco enfrentado pelos membros do Gaeco e por outros profissionais da Justiça diante da violência organizada do PCC.

Os advogados dos empresários presos não se manifestaram publicamente até o momento, mas as investigações continuam com o objetivo de identificar outras pessoas envolvidas no plano.