Juliano Galisi | 29 de agosto de 2025 - 07h50

Eduardo Bolsonaro pede ao presidente da Câmara para exercer mandato remotamente dos EUA

Deputado argumenta que crise institucional justifica a continuidade da diplomacia parlamentar à distância.

POLÍTICA
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participa dos Estados Unidos de sessão de subcomissão da Câmara sobre 8 de Janeiro - ( Foto: @camaradosdeputadosoficial)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) solicitou ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que seja autorizado a exercer seu mandato remotamente dos Estados Unidos. Em um ofício enviado ao presidente da Câmara, Eduardo alega que tem realizado "diplomacia parlamentar" no país e que a pandemia de covid-19 criou um precedente claro para o exercício remoto de funções legislativas.

"Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda", escreveu Eduardo Bolsonaro, que também compartilhou o documento em seu perfil no X (antigo Twitter).

Desde o início de 2025, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e, em março deste ano, pediu licença do mandato na Câmara. Na ocasião, ele anunciou que permaneceria no país, com o objetivo de buscar sanções internacionais contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro do STF, Alexandre de Moraes, a quem acusa de violar direitos humanos.

Recentemente, tanto Eduardo quanto Jair Bolsonaro foram indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo. De acordo com as investigações, o filho do ex-presidente estimula sanções externas para tentar influenciar o processo judicial de seu pai, que é réu por tentativa de golpe de Estado.

O pedido de Eduardo Bolsonaro gerou reações dentro da Câmara dos Deputados. Em 7 de agosto, Hugo Motta havia rejeitado a ideia de um "mandato à distância", afirmando que não há previsibilidade para o exercício remoto do cargo. "Não há previsão no regimento para isso", disse Motta à revista Metrópoles.

Quatro dias depois, em entrevista à revista Veja, Motta também se posicionou contra atitudes que busquem impor sanções externas ao Brasil. "Eu não posso concordar com a atitude de um parlamentar que está fora do País, trabalhando muitas vezes para que medidas cheguem ao seu País de origem e que tragam danos à economia do País", afirmou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, encaminhou no dia 15 de agosto um processo de cassação contra Eduardo Bolsonaro ao Conselho de Ética. A medida surgiu após declarações e atitudes do deputado, que afirmou, em diversas ocasiões, que Motta poderia entrar no radar das sanções caso não pautasse projetos de interesse de seu grupo político, como o projeto de anistia aos réus dos atos de 8 de janeiro.