Redação | 29 de agosto de 2025 - 07h15

Moraes dá prazo para PGR se manifestar sobre denúncia contra Paulo Figueiredo

Ministro do STF decide que julgamento de acusado de envolvimento em tentativa de golpe deve seguir, mesmo sem defesa formal

JUSTIÇA
Neto de João Batista Figueiredo, último presidente na Ditadura, o blogueiro se alinhou ao bolsonarismo - (Foto: Reprodução)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu nesta quinta-feira (28) um prazo de cinco dias para que a Procuradoria Geral da República (PGR) se manifeste sobre a suspensão de uma denúncia que acusa o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo de estar envolvido no núcleo de desinformação da tentativa de golpe de Estado. A decisão ocorre após a Defensoria Pública da União (DPU), que representa Figueiredo, questionar a forma de notificação utilizada pelo magistrado.

Figueiredo, que reside nos Estados Unidos, não foi localizado para ser informado sobre a acusação. Apesar disso, Moraes considerou o influenciador notificado e determinou que o processo seguisse, mesmo sem manifestação de sua defesa. A decisão foi tomada após o blogueiro gravar vídeos em julho comentando o caso.

No despacho, o ministro escreveu: "A ciência inequívoca do acusado indica a ausência de qualquer prejuízo na realização de sua notificação. Além disso, o acusado está localizado em país estrangeiro e em endereço desconhecido, de modo que não há possibilidade de sua notificação por outros meios."

Sem advogado indicado por Figueiredo, a DPU assumiu a representação legal do acusado. O órgão questionou a decisão de Moraes, alegando que, apesar dos vídeos publicados nas redes sociais, Figueiredo não teve acesso integral à acusação formal contra ele, algo essencial para o prosseguimento do processo. A DPU defendeu que o andamento do caso sem o conhecimento completo da acusação prejudica as garantias do acusado.

Como alternativa, a DPU sugeriu que o ministro solicitasse ao governo dos EUA o envio de uma "carta rogatória" para notificar Figueiredo oficialmente sobre o processo.

Figueiredo é conhecido por ser um aliado do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e por atuar na articulação de sanções contra o Brasil nos Estados Unidos, incluindo tarifas comerciais e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.