Brasil reafirma apoio à soberania do Panamá sobre o Canal e adere a tratado de neutralidade
Lula e presidente do Panamá discutem parceria em temas regionais e celebram acordo de venda de caças A-29 SuperTucano
MUNDOO presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 28, que o Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal, um território de grande importância estratégica, e reafirmou o compromisso do país com a neutralidade da infraestrutura. A declaração foi feita durante uma visita oficial do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, ao Palácio do Planalto.
Lula destacou que o Panamá conquistou sua autonomia sobre o Canal após uma longa luta e que o país administra a passagem estratégica de forma eficiente desde 1999, respeitando a neutralidade que garante o trânsito seguro de navios de todas as origens. O Brasil, segundo o presidente, se juntará a mais de 140 países que já assinaram o tratado de neutralidade permanente do Canal.
O tema ganhou relevância após ameaças feitas por Donald Trump, que sugeriu a retomada do controle do Canal, construído em parceria com os Estados Unidos. Trump acusou o Panamá de favorecer empresas chinesas e cobrar tarifas elevadas das americanas. Como resposta, o Panamá retirou-se da iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda, o que gerou tensões na região.
Durante a visita, Lula também falou sobre os desafios enfrentados pela América Latina e o Caribe, alertando para as "ameaças de ingerência" que pressionam as democracias e comprometem o comércio internacional. O presidente brasileiro reforçou a importância de um continente integrado, autônomo e comprometido com o multilateralismo. Mulino concordou, dizendo que a região vive um momento crítico, mas que o Panamá defende a liberdade e a autodeterminação de seus povos.
Lula também reagiu ao envio de uma frota naval dos Estados Unidos ao Caribe, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas, mas que, segundo ele, gerou pressões sobre a Venezuela e violou princípios da Carta das Nações Unidas. Para o presidente, a luta contra o crime organizado não deve ser usada como pretexto para ameaças e uso indevido de força.
No campo ambiental, Lula convidou Mulino para participar da COP-30, que será realizada em Belém (PA) e será, segundo o presidente brasileiro, a "COP da verdade". O evento tem como objetivo destacar as verdadeiras intenções dos líderes globais em relação à mudança climática.
Por fim, Lula e Mulino celebraram o acordo para a venda de quatro caças A-29 Super Tucano, fabricados pela Embraer, ao Serviço Nacional Aeronaval do Panamá. O anúncio do acordo foi feito pelos dois presidentes, que posaram com miniaturas dos aviões.