Lavínia Kaucz | 28 de agosto de 2025 - 17h00

STF rejeita recurso do governo e mantém decisão sobre limite de gastos do Judiciário

Governo terá que compensar exceção ao limite de gastos do arcabouço fiscal com aumento de receitas ou corte de despesas em outras áreas

ECONOMIA
No ano passado, essas receitas próprias fecharam em cerca de R$ 2 bilhões. - (Foto: Wilton Junior/Estadão)

O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por unanimidade, o recurso do governo federal contra a decisão de abril que excluiu as verbas obtidas pelo Poder Judiciário do limite de gastos do arcabouço fiscal. A decisão implica que o governo precisará compensar a exceção ao limite de gastos, seja por aumento de receitas ou corte de despesas em outras áreas. No ano passado, essas receitas próprias do Judiciário somaram cerca de R$ 2 bilhões.

Em coletiva realizada nesta quinta-feira, 28, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, minimizou o impacto da decisão, afirmando que ela não gera um efeito "tão relevante", mas ressaltou que o governo tem o papel de "cumprir" a determinação.

O julgamento, realizado em sessão virtual, teve como relator o ministro Alexandre de Moraes, que cancelou o pedido de destaque feito em julho. A sessão foi encerrada na quarta-feira, 27, após Moraes convocar uma sessão extraordinária para analisar a "excepcional urgência" do caso, com a proximidade da apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, marcada para esta sexta-feira.

A Advocacia Geral da União (AGU) argumentou que a decisão não foi clara sobre o conceito de "receitas próprias", o que poderia gerar interpretações divergentes. O governo defende que a exceção ao limite de gastos se refere apenas às "receitas de natureza originária", como aluguéis e alienação de bens, e não inclui itens como custas e emolumentos. Contudo, Moraes, em seu voto, negou o recurso, afirmando que a decisão não apresentava obscuridades ou omissões. Ele afirmou que a exceção abrange tanto as despesas custeadas por receitas próprias quanto as provenientes de custas e emolumentos. Seu voto foi seguido por todos os outros ministros do STF.