28 de agosto de 2025 - 12h15

Arena Barueri ganha novo nome; acordo de naming rights chega a R$ 500 milhões

Contrato de 30 anos com Crefipar faz da Arena Barueri o 11º estádio com naming rights no Brasil, somando investimentos bilionários no futebol nacional

FUTEBOL
A Arena Barueri agora se chama Arena Crefisa Barueri, após acordo de naming rights com a empresa de Leila Pereira - (Foto: Alex Silva/Estadão)

A Arena Barueri agora se chama Arena Crefisa Barueri. O novo nome foi definido após a Crefipar, empresa da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, adquirir os direitos de naming rights para os próximos 30 anos. Este é o 11º acordo do tipo no futebol brasileiro e inclui um investimento de R$ 500 milhões, com previsão de gastos adicionais de R$ 70 milhões já aplicados na reforma, como na instalação de gramado sintético.

O estádio, que já serve como a segunda casa do Palmeiras desde 2023, é agora uma das principais arenas do futebol nacional a contar com patrocínio de naming rights. Este tipo de contrato tem se tornado cada vez mais comum no Brasil, com clubes reconhecendo o potencial de gerar receitas adicionais por meio da venda do nome de seus estádios.

Este modelo de negócio começou a ganhar força no Brasil em 2005, com o acordo do Athletico-PR, que vendeu os naming rights do seu estádio para a empresa Kyocera. Desde então, clubes como o Palmeiras (com Allianz desde 2013), o Atlético-MG (com MRV desde 2017) e o Corinthians (com Neo Química desde 2020) seguiram o mesmo caminho. O Mané Garrincha, em Brasília, também passou a se chamar Banco BRB Mané Garrincha desde 2022.

O Corinthians, inclusive, está em busca de um novo patrocinador para substituir a Neo Química, após um acordo de rescisão de contrato de cerca de R$ 50 milhões. Além disso, clubes como o Santos tentaram fechar acordos de naming rights, com a Viva Sorte, mas o contrato foi cancelado devido à construção de um novo estádio.

O potencial comercial e os benefícios - Para Ivan Martinho, professor de marketing da ESPM, a comercialização de naming rights pode transformar os estádios em fontes de receita importantes, contribuindo para a profissionalização do futebol brasileiro. Ele destaca que os investimentos em infraestrutura esportiva ampliam as experiências para o público, o que é uma tendência observada em países como os Estados Unidos, onde o conceito está consolidado.

Em relação aos patrocinadores do tipo, Martinho afirma que, no Brasil, muitos clubes estão deixando para trás a relutância em mudar o nome de seus estádios, algo que, no passado, era visto como um desafio devido ao peso da tradição. “O foco agora é o lado comercial. Os clubes precisam entender os benefícios das parcerias e aproveitar as oportunidades que os naming rights oferecem”, comentou.

O mercado de naming rights continua a se expandir, com casas de apostas também começando a se destacar, como nos casos da Arena das Dunas e Arena Fonte Nova, ambas patrocinadas pela mesma empresa de apostas. Em 2026, o mercado de apostas no futebol brasileiro vai investir cerca de R$ 1,3 bilhão em patrocínios e naming rights.

Para Sergio Schildt, presidente da Recoma e vice-presidente da Abriesp, a modernização dos estádios, com novas opções de entretenimento como restaurantes, camarotes e lojas, tem sido essencial para atrair um público mais diverso e ampliar o uso das arenas. “Hoje, os estádios não são apenas para assistir a jogos. Eles são centros de entretenimento para toda a família, recebendo também shows e eventos culturais, o que valoriza ainda mais as marcas que possuem seus naming rights”, explicou.