Da Redação | 16 de abril de 2025 - 10h05

Biosul defende expansão consciente e protagonismo do etanol na nova matriz energética

Na Expogrande, Amaury Pekelman destaca a força do setor sucroenergético em MS, o uso do milho para etanol e a chegada da bioeletricidade como energia para os carros

EXPOGRANDE 2025
Biosul defende expansão consciente e protagonismo do etanol na nova matriz energética - (Foto: Reprodução)

Pela primeira vez com estande próprio na Expogrande, a Biosul — entidade que representa o setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul — veio com tudo para mostrar o que já está fazendo e o que ainda pode fazer pelo futuro do Estado. Em entrevista ao Grupo Feitosa de Comunicação, o presidente da entidade, Amaury Pekelman, explicou como a transição energética vem ganhando força, destacou os projetos em andamento e reforçou: “O biocombustível não é só tendência, é realidade — e já movimenta nossa economia.”

Cana e milho: juntos, eles fazem o etanol de MS - Amaury explicou que a safra 2023/2024 foi muito positiva, com grande volume de produção de cana-de-açúcar. Já a safra atual sofreu impactos de seca, geadas e queimadas, que reduziram a produção da cana. Para equilibrar, entra o milho. Hoje, Mato Grosso do Sul já conta com uma estrutura que permite complementar a produção de etanol a partir do grão.

“O setor está em transição. Antes era só cana. Agora temos cana e milho juntos como fontes importantes para o etanol. E isso garante que a produção não pare mesmo em anos mais difíceis”, explicou.

Etanol agora, combustível de avião amanhã - Amaury também falou sobre o avanço de projetos que buscam novos combustíveis a partir da cana, como o combustível sustentável de aviação — uma alternativa limpa ao querosene de origem fóssil usado hoje nos aviões.

“Estamos conversando com companhias aéreas para produzir querosene renovável a partir do etanol. Isso ajuda o planeta e abre mais um mercado para o agro brasileiro”, disse.

E não para por aí: há também estudos sobre o uso de subprodutos da cana, como a vinhaça, para produção de biometano — um gás limpo que pode substituir o diesel no transporte pesado.

Na Expogrande, Amaury Pekelman apresenta o papel da Biosul e os avanços do setor sucroenergético em MS, como biometano, bioeletricidade e etanol.

O futuro é elétrico — com energia vinda da roça - Outra novidade que chama a atenção é a bioeletricidade, gerada a partir da biomassa da cana. Segundo Amaury, esse tipo de energia poderá abastecer inclusive os carros elétricos, que estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil.

“O futuro não é só a tomada na parede. Vamos ter energia elétrica limpa vinda do campo, da cana. Isso é bom para o meio ambiente e gera emprego aqui”, afirmou.

Etanol na gasolina: de 27% para 30% - Atualmente, o combustível vendido nos postos contém 27% de etanol misturado à gasolina. Mas uma nova lei já aprovada prevê o aumento para 30%, o que significa mais etanol na bomba, mais demanda para o setor e menos poluição no ar.

“Mesmo quem abastece com gasolina está ajudando a usar combustível limpo, porque boa parte dela já vem do etanol”, explicou.

Preservar o Pantanal e expandir com responsabilidade - Amaury também comentou sobre o avanço da produção de cana no Estado. Hoje, a maior parte das plantações está concentrada no sul. O setor estuda crescer para outras áreas, mas com responsabilidade: o Pantanal está fora dos planos.

“A gente quer crescer, sim, mas sem afetar o meio ambiente. Tem regiões do norte e nordeste do Estado que são boas para cana, e é para lá que a gente pode expandir”, reforçou.

O setor e a Expogrande - Participando pela primeira vez com estande próprio, a Biosul se diz impressionada com o tamanho e a importância da Expogrande. Amaury fez questão de parabenizar o presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai, pelo crescimento do evento.

“É uma feira que vem se consolidando como a maior do Estado. E é aqui que queremos mostrar ao público o que fazemos e o que ainda vamos fazer. O setor sucroenergético está pronto para liderar a nova fase do agronegócio”, concluiu.