A digitalização das multas: PRF adere ao sistema de transferência de pontos via app
Em uma tentativa de simplificar a vida dos motoristas e acabar com a burocracia no trânsito, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) agora permite que você transfira os pontos da sua carteira com alguns cliques no celular.
A ERA DIGITALNaquela rodovia interminável, onde o horizonte parece uma linha difusa entre o céu e o asfalto, seu carro passa por uma câmera. Alguns dias depois, chega a notícia: uma multa. Mas e se você nem estivesse dirigindo? Talvez fosse seu primo, sua irmã ou aquele amigo que pediu o carro emprestado para uma “viagem rápida”. O que fazer? Até outro dia, essa questão poderia se transformar em uma pequena novela burocrática: preencher formulários, correr atrás de documentos, ir até o Detran mais próximo, e, claro, torcer para que tudo desse certo. Agora, a história é outra — ou pelo menos está se tornando outra, graças a uma novidade tecnológica da PRF.
A Polícia Rodoviária Federal anunciou, nesta quarta-feira, 18 de setembro, sua adesão à funcionalidade Indicação do Real Infrator, disponível na Carteira Digital de Trânsito (CDT). Desenvolvida pelo Serpro em parceria com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a ferramenta promete simplificar, e muito, a vida dos motoristas. A partir de agora, quem leva uma multa em rodovias federais pode, diretamente pelo celular, transferir os pontos da infração para a pessoa que realmente estava ao volante.
Adeus, papelada. Olá, digitalização. - A ideia é prática e eficiente: com o novo sistema, o proprietário do veículo acessa o aplicativo da Carteira Digital de Trânsito, informa o CPF de quem estava dirigindo no momento da infração, e pronto. O indicado recebe uma notificação, aceita o “presente” e os pontos vão parar na CNH dele, como se fosse mágica — uma mágica digital, claro. Nada de filas no Detran ou de pastas cheias de papéis.
Segundo Alexandre Amorim, presidente do Serpro, a adesão da PRF é um grande passo. Até então, essa funcionalidade já estava disponível para as multas aplicadas pelo DNIT e pela ANTT. Com a chegada da PRF, todas as infrações cometidas em rodovias federais poderão ser resolvidas digitalmente. “De janeiro a maio deste ano, já tivemos mais de 260 mil indicações em todo o país”, informou Amorim. No caso específico da PRF, antes mesmo de o sistema ser oficialmente lançado, cerca de 700 processos já estão sendo evitados por dia. É como se a burocracia estivesse sendo digitalmente triturada.
Adrualdo Catão, secretário Nacional de Trânsito, também vê a novidade com entusiasmo. “Estamos ampliando significativamente o Real Infrator com essa adesão da PRF. Todo o processo agora pode ocorrer de forma on-line e segura, garantindo mais agilidade”, comentou. Catão está otimista: ele vê essa mudança como mais um passo rumo à desburocratização, um conceito que já foi uma promessa distante, mas que começa a ganhar forma — ou, no caso, a perder sua forma física de tanto papel.
Menos papel, mais cliques: como funciona? A funcionalidade é simples, mas tem suas regras. Primeiro, a indicação de infrator só pode ser feita entre pessoas físicas. Isso significa que, se o carro for de uma empresa, o procedimento será diferente. Além disso, tanto o proprietário do veículo quanto o infrator real precisam ter a CNH digital — uma versão moderna da velha carteira de habilitação, que agora pode ser acessada pelo celular.
Outro detalhe importante: quem aceita a infração precisa ter uma conta verificada no sistema Gov.br com nível ouro ou prata. Se sua conta for bronze (e você nem sabia que existiam essas distinções), não se preocupe. É possível subir de nível facilmente, fazendo uma validação facial pelo aplicativo. Parece o futuro, mas é o presente — ou, pelo menos, o presente digital.
A PRF e a burocracia que se dissolve no ar - A adesão da PRF ao sistema de Indicação do Real Infrator foi comemorada como um marco pelos envolvidos. Para Antônio Fernando Souza Oliveira, diretor-geral da PRF, trata-se de uma mudança que pode agilizar processos que, antes, demandavam tempo, papel e a participação de servidores. “Agora, de forma digital e instantânea, o próprio cidadão pode fazer tudo diretamente no celular. Isso representa uma enorme economia de recursos para todos”, afirmou.
Em uma era onde quase tudo pode ser resolvido com alguns cliques, a ideia de precisar de papéis, filas e carimbos começa a parecer uma relíquia do passado. O objetivo do novo sistema é que o motorista não precise mais sair de casa para resolver questões que, na verdade, já poderiam ser resolvidas pelo celular.
A adesão da PRF, portanto, não é apenas mais um passo rumo à digitalização do serviço público, mas também uma tentativa de tornar a experiência do motorista mais ágil, mais prática e menos estressante. No fundo, é um reflexo de um Brasil que, aos poucos, tenta se modernizar, ainda que, às vezes, um clique de cada vez.
Uma transformação em curso - Apesar da praticidade que o sistema promete, vale lembrar que nem todo mundo já está habituado ao mundo dos aplicativos e da digitalização dos serviços públicos. Ainda há uma boa parcela da população que vê o celular como um simples aparelho de fazer ligações (quem diria?) ou mandar mensagens no WhatsApp. Para esses motoristas, o novo sistema pode parecer um tanto quanto complicado no começo. Mas, como com qualquer inovação, o objetivo é simplificar. E se a promessa de menos papelada, menos filas e menos idas ao Detran se cumprir, é provável que, em pouco tempo, até os mais resistentes à tecnologia passem a ver o novo sistema com bons olhos.
No fim, a adesão da PRF ao Indicação do Real Infrator pela Carteira Digital de Trânsito é mais um exemplo de como a vida no Brasil está lentamente se deslocando para o mundo digital — e, com sorte, se tornando um pouco menos complicada no processo.