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ARTIGO

Crianças longe das telas: atividades práticas para as férias

Luciana Fernandes Dias Azevedo (*)

20 janeiro 2026 - 09h05Por Luciana Fernandes Dias Azevedo
Luciana Fernandes Dias Azevedo
Luciana Fernandes Dias Azevedo - (Foto: Divulgação)

As férias escolares são uma chance valiosa de desacelerar e abrir espaço para experiências mais ricas do que as telas costumam oferecer. Reduzir o tempo de exposição digital neste período ajuda a melhorar o sono, ampliar a atenção, favorecer o humor e recuperar o interesse por brincadeiras que desenvolvem habilidades essenciais. Quando a tela deixa de ser a principal opção, a criança volta a explorar o ambiente, movimentar o corpo, criar, imaginar e conviver.

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Atividades off-line favorecem o desenvolvimento integral porque envolvem corpo, linguagem, emoções e interação social. Brincadeiras simples, contato com a natureza, uso de materiais variados e experiências reais estimulam coordenação motora, criatividade, autonomia e empatia. Também ajudam na regulação emocional e tornam o dia mais equilibrado. Sinais como irritação ao desligar o aparelho, mudanças de humor, dificuldade de concentração, cansaço visual e desinteresse por outras atividades indicam a importância de reorganizar hábitos.

Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer a realidade de muitas famílias, marcadas por rotinas intensas e pouco tempo disponível para acompanhar cada momento da criança. Isso é compreensível. Ainda assim, pequenas mudanças consistentes já fazem a diferença. Para crianças de 8 a 11 anos, é possível propor atividades que exigem pouca supervisão, como cadernos de desafios com desenhos, histórias e charadas; jogos de lógica; leitura livre; pequenas tarefas de organização; criação de objetos com materiais recicláveis; e propostas artísticas simples. Essas alternativas estimulam a autonomia e evitam que o tempo ocioso seja automaticamente preenchido por telas.

Brincadeiras ao ar livre também enriquecem o período de férias, seja com jogos tradicionais, circuitos motores, bicicleta, construção de cabanas ou pequenas explorações na natureza. Organizar o dia em blocos leves — movimento, leitura, arte e brincadeira livre — ajuda a manter equilíbrio sem rigidez. A leitura e as atividades artísticas ampliam repertório, fortalecem vínculos e oferecem formas saudáveis de expressão. O tédio, muitas vezes visto como problema, pode se tornar aliado: quando não há soluções imediatas, a criança aprende a inventar, negociar e imaginar.

Momentos compartilhados, mesmo que breves, fazem diferença: jogos de tabuleiro, caminhadas, preparo de pequenas receitas, cultivo de plantas ou a leitura de um livro em capítulos criam memórias afetivas e substituem o tempo de tela com qualidade. O essencial é a constância, não a perfeição. Ao final das férias, manter combinados simples — limites claros, ambientes livres de telas em alguns períodos e acompanhamento do conteúdo — contribui para um uso mais saudável ao longo do ano. Assim, a tecnologia deixa de ser a única opção e passa a ocupar um lugar mais adequado na infância.

(*) Luciana Fernandes Dias Azevedo é pedagoga e neuropsicopedagoga, com 23 anos de atuação na Educação Básica. Atualmente, leciona no Colégio Marista Alexander Fleming como professora de LIP, com foco na aprendizagem integral das crianças e no desenvolvimento de práticas pedagógicas que contemplam aspectos cognitivos, sociais e emocionais.

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