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CULTURA E FÉ

Comunidade Quilombola Águas do Miranda celebra 39ª Folia de Reis neste fim de semana

Tradição de mais de meio século reafirma a ancestralidade negra e a união comunitária em Bonito, com apoio do Grupo TEZ e da Lei Aldir Blanc.

7 janeiro 2026 - 10h00Carlos Guilherme
Foliões da Comunidade Quilombola Águas do Miranda mantêm viva a tradição da Folia de Reis há mais de 50 anos, em Bonito (MS).
Foliões da Comunidade Quilombola Águas do Miranda mantêm viva a tradição da Folia de Reis há mais de 50 anos, em Bonito (MS). - (Foto: Divulgação)

Às margens do Rio Miranda, em Bonito, a Comunidade Quilombola Águas do Miranda se prepara para celebrar, neste sábado (10) e domingo (11), a 39ª edição da Festa da Folia de Reis, uma das manifestações culturais mais antigas e simbólicas de Mato Grosso do Sul.

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Realizada há mais de 50 anos, a celebração é considerada a maior festa popular do distrito e a primeira do calendário cultural de Bonito. Mais do que uma expressão de fé, a Folia é herança viva da cultura negra quilombola, passada entre gerações desde que os primeiros cantos ecoaram pelas margens do rio.

Neste ano, a festividade conta com o apoio do Grupo Trabalho e Estudos Zumbi (TEZ), por meio do projeto Festividades Religiosas: Saberes e Ancestralidade, que recebe recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), executada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). O projeto busca fortalecer manifestações culturais negras e quilombolas em todo o Estado, com ações formativas e incentivo direto às celebrações.

Segundo Kely Aparecida da Silva, moradora e uma das organizadoras, a Folia de Reis vai além da devoção. “A festa reforça a união da nossa comunidade. É o momento de ver e sentir a fé das pessoas. A gente celebra a caminhada, as visitas da bandeira, o terço, o jantar, tudo tem um sentido profundo”, contou.

A tradição foi trazida da Bahia por Amarílio Modesto da Silva, avô de Kely, e consolidada na região como símbolo da resistência e da ancestralidade quilombola. “É muito bonito ver o reconhecimento dessa história. A bandeira passou por Nioaque, voltou pra cá e hoje continua viva”, completa.

Para Bartolina Ramalho Catanante, a professora Bartô, presidenta do Grupo TEZ, apoiar a festa é também um ato de memória e identidade coletiva. “As festividades religiosas são parte da nossa infância e da nossa história. A Folia sempre foi um ponto de encontro e de integração nas comunidades negras. Quando o TEZ participa, estamos reafirmando a cultura popular e a memória ancestral do nosso povo.”

Ela destaca que manter viva a Folia é um gesto político e educativo. “Fortalecer essa tradição é fortalecer a negritude presente em cada comunidade, garantindo que filhos e netos convivam com suas raízes.”

Programação – 39ª Festa da Folia de Reis

Sábado (10 de janeiro)

18h30 – Reza do Terço

20h – Jantar coletivo

21h30 – Baile e leilão

Domingo (11 de janeiro)

8h – Atividades no Teatro da Sanesul, em Bonito

8h30 – Oficina Saberes, Folia de Reis

10h30 – Apresentação do Grupo de Capoeira Olodum (Nioaque/MS)

12h30 – Almoço coletivo

14h – Baile e torneio de futebol durante o dia

19h – Encerramento dos festejos

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