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INTERNACIONAL

Regime iraniano prepara execução de jovem preso durante protestos, dizem entidades

Erfan Soltani, de 26 anos, foi condenado por 'inimizade contra Deus' após julgamento acelerado

13 janeiro 2026 - 20h15Caio Possati
Entidades de direitos humanos denunciam repressão e execuções ligadas aos protestos no Irã.
Entidades de direitos humanos denunciam repressão e execuções ligadas aos protestos no Irã. - (Foto: Reprodução/Instagram/@collettivo.rj)

Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos afirmam que o regime do Irã deve executar nesta quarta-feira (14) Erfan Soltani, um jovem de 26 anos preso por participar dos protestos contra o governo iraniano, iniciados no fim do ano passado. Ele foi detido no último dia 8, em sua residência, na cidade de Kurtis, segundo informações divulgadas por organizações internacionais.

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Erfan foi condenado pelo crime de Moharebeh, expressão que significa “inimizade contra Deus” e é considerada uma das acusações mais graves no sistema judicial iraniano, com previsão de pena de morte. O Irã é formalmente uma república islâmica, com presidente e parlamento eleitos, mas todo o poder institucional está submetido ao controle do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, chefe de Estado e autoridade religiosa máxima do país.

De acordo com a ONG Hengaw Organization for Human Rights, Soltani foi submetido a um processo considerado sumário, sem direito à presença de advogados, sem acesso a garantias básicas de defesa e com baixa transparência. A entidade relata que a família ficou dias sem qualquer informação sobre o paradeiro do jovem após a prisão. O contato oficial das autoridades teria ocorrido apenas no fim de semana, já para comunicar a execução.

Segundo as organizações, os familiares tiveram direito a um encontro rápido com Erfan, limitado a cerca de dez minutos, apenas para a despedida. A irmã do jovem, que atua como advogada, tentou recorrer da sentença, mas não conseguiu acesso aos autos do processo. Ainda conforme os relatos, a família foi ameaçada para não se manifestar publicamente sobre o caso.

O site IranWire informa que Erfan Soltani trabalhava na indústria do vestuário e havia ingressado recentemente em uma empresa privada. Nas redes sociais, compartilhava conteúdos ligados a esportes, musculação e moda. Pessoas próximas relatam que ele tinha grande interesse por estilo pessoal e tendências do setor.

Ainda segundo o IranWire, uma fonte afirmou que Soltani já havia recebido mensagens ameaçadoras de agentes de segurança antes de ser preso e chegou a alertar familiares de que estava sendo monitorado. Mesmo assim, decidiu continuar participando das manifestações. O órgão responsável por sua prisão, julgamento e eventual execução não foi claramente identificado.

Apesar de familiares afirmarem que a execução está confirmada, a organização Iran Human Rights (IHRNGO) alerta que o regime iraniano já utilizou anúncios de sentenças de morte como instrumento de intimidação. Segundo a entidade, esse tipo de comunicação pode servir para pressionar famílias e desestimular novos protestos.

“No caso de Abbas Deris, um manifestante de novembro de 2019, as autoridades informaram à família que ele havia sido condenado por assassinato para forçá-lo a pedir perdão aos parentes da suposta vítima, o que equivaleria a uma confissão”, afirmou a organização em nota.

Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro, motivados principalmente pela crise econômica e pelo aumento do custo de vida. As manifestações tiveram início em Teerã e se espalharam para diversas regiões do país.

De acordo com dados da IHRNGO, ao menos 648 pessoas morreram desde o início das mobilizações, embora outras fontes estimem mais de 2 mil vítimas. A mídia estatal iraniana informou que pelo menos 121 integrantes das forças militares, policiais e do Judiciário morreram nos confrontos, sem detalhar números referentes à capital.

Em resposta às manifestações, o líder supremo Ali Khamenei declarou que a República Islâmica não recuaria. Já o presidente Masoud Pezeshkian convocou apoiadores do governo a se organizarem nos bairros para conter os protestos.

As autoridades também impuseram um bloqueio quase total à internet no país. Segundo a empresa NetBlocks, cerca de 99% da rede está inacessível no território iraniano. A Iran Human Rights informou que apenas um número restrito de cidadãos conseguiu acesso por meio do serviço Starlink, além de relatos de interferência nos equipamentos.

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