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20 de janeiro de 2026 - 17h30
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TECNOLOGIA

Venda do TikTok nos EUA deve ser concluída nesta quinta sob pressão do governo americano

Negócio de US$ 14 bilhões transfere controle de dados a empresas alinhadas a Trump e reacende debate global

20 janeiro 2026 - 15h25
Venda do TikTok nos Estados Unidos muda controle da plataforma e reacende debate sobre dados e soberania digital
Venda do TikTok nos Estados Unidos muda controle da plataforma e reacende debate sobre dados e soberania digital - (Foto: Reprodução)

A venda da operação do TikTok nos Estados Unidos, considerada um dos maiores movimentos da história recente das plataformas digitais, deve ser finalizada nesta quinta-feira (22). A transação ocorre após forte pressão política do governo americano e muda de forma significativa o controle sobre dados de milhões de usuários.

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O acordo envolve a ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok, e grupos empresariais alinhados ao governo dos Estados Unidos. Com a conclusão do negócio, o poder de decisão e a gestão de dados da plataforma no território americano deixam majoritariamente as mãos chinesas. A ByteDance permanecerá com cerca de 20% de participação, enquanto o controle ficará com empresas como a Oracle, responsável pelo armazenamento de dados, e o fundo MGX, ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos.

A operação é estimada em US$ 14 bilhões, segundo o vice-presidente dos EUA, James Vance. Atualmente, o TikTok é a quarta maior rede social do país, com cerca de 170 milhões de usuários ativos.

A negociação retoma um embate iniciado ainda no primeiro mandato de Donald Trump, quando o então presidente passou a tratar o TikTok como uma possível ameaça à segurança nacional. O tema voltou ao centro do debate durante sua nova campanha à Casa Branca. Do lado chinês, o governo se manifestou em defesa de uma solução que preserve relações comerciais e respeite as leis do país.

Para especialistas, a venda forçada vai além de uma simples transação comercial. A pesquisadora Andressa Michelotti, da UFMG, avalia que o caso revela uma contradição no discurso americano. “Ao mesmo tempo em que defende o livre mercado, o país usa o argumento da segurança nacional para controlar dados e plataformas, o que também impacta a liberdade de expressão”, analisa.

Outro ponto levantado por estudiosos é o fortalecimento de grandes empresários próximos ao poder político. Nomes como Larry Ellison, da Oracle, passam a ter papel central no novo arranjo. Esse grupo de empresários alinhados a governos tem sido chamado de “brolygarchs”, em referência à proximidade entre negócios bilionários e decisões de Estado.

Apesar das críticas, a ByteDance afirma que sempre operou de forma independente do governo chinês. Hoje, 60% do capital da empresa está nas mãos de fundos internacionais, como BlackRock e General Atlantic. Outros 20% pertencem a funcionários, incluindo milhares de empregados nos EUA, e o restante aos fundadores.

Impactos e incertezas - Ainda não está claro se a mudança envolverá apenas a transferência de servidores ou se haverá alterações mais profundas no aplicativo, como design, funcionalidades e políticas de moderação. Especialistas não descartam a criação de uma versão exclusiva do TikTok para os Estados Unidos, o que poderia fragmentar a plataforma globalmente.

Questões como acesso e circulação de dados entre países, moderação de conteúdo e transparência seguem no centro das preocupações. A experiência recente de outras redes sociais mostra que mudanças desse porte costumam trazer efeitos de longo prazo.

E o Brasil? - Segundo a ByteDance, a venda nos Estados Unidos não altera as operações do TikTok em outros países. A empresa afirma que a experiência dos usuários brasileiros seguirá a mesma.

No Brasil, inclusive, a companhia avança na ampliação da infraestrutura local. Já começaram as obras de um grande data center no Ceará, que deve se tornar o maior da América Latina, com investimento estimado em R$ 200 bilhões.

Para especialistas em regulação digital, o caso do TikTok nos EUA não deve ser replicado no Brasil, mas serve de alerta. O debate sobre soberania digital, governança das plataformas e transparência no uso de dados tende a ganhar força nos próximos anos.

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